Quando a escritora americana Nora Ephron morreu, em 2012, aos 71 anos, muitos amigos e conhecidos ficaram em choque e até irritados. Ela havia recebido o diagnóstico de síndrome mielodisplásica seis anos antes e, desde então, a doença havia evoluído para uma leucemia. Ephron manteve o diagnóstico em segredo e continuou trabalhando normalmente. Pessoas próximas a ela dizem que a escritora temia ser tratada de forma diferente caso seu entorno soubesse da doença.

É uma abordagem diametralmente oposta à escolhida pelo advogado Tiago Pitthan, morto neste domingo (5), aos 46 anos. Tiago ficou famoso por ter organizado um "velório em vida" em Campo Grande (MS). Inicialmente, o advogado havia organizado uma festa para cerca de cem convidados, mas o evento ganhou tração nas redes sociais e se tornou uma festa de rua com ao menos 400 pessoas.

O velório não teve nada de fúnebre. Contou com roda de samba, shows de rock, DJ, cerveja e dança. Tiago recebeu o público de braços abertos, trajando uma bermuda clara e uma camisa listrada com a frase "é melhor ser alegre que ser triste". A festa teve até uma coreografia ao som de "Um Morto Muito Louco", funk que fez sucesso dos anos 2000.

Para a psicóloga especializada em cuidados paliativos Silvana Aquino, a decisão de Tiago de fazer essa festa ainda em vida foi muito feliz. Ela diz que o evento abriu uma porta para que a morte possa ser um tema tratado abertamente, com humor. "A morte não é o oposto da vida. É a continuidade dela", afirma.