"Todo mundo tem na sola do pé um pouco de barro." Foi com essas palavras que Benedito Ruy Barbosa, morto nesta terça-feira (7), aos 95 anos, explicou o sucesso de "O Rei do Gado", novela que coroou sua carreira ao descortinar o chamado Brasil profundo para 60 milhões de brasileiros.

Era 1996. Àquela altura, apenas 22% da população ainda vivia no campo. Mas o autor sabia que era ali que estavam alguns dos conflitos mais profundos e latentes da sociedade brasileira.

"O Rei do Gado" girava em torno da rivalidade entre duas famílias de imigrantes italianos, os Mezenga e os Berdinazzi, separadas por uma disputa de terras e por um romance proibido entre seus descendentes.

Por trás da trama com ares de "Romeu e Julieta", porém, havia debates espinhosos sobre imigração, concentração fundiária, coronelismo e, principalmente, reforma agrária.

Um dos autores seminais da teledramaturgia brasileira, ao lado de Janete Clair, Dias Gomes e Lauro César Muniz, Benedito não foi o primeiro a ambientar histórias no campo.