Eleições 2026

El Niño vem aí e, além de secar os rios, encarecer a comida e favorecer as queimadas, pode afetar as eleições de outubro e expor um paradoxo: o dinheiro que financia o desmatamento está ateando fogo no próprio negócio. É a primeira vez, desde a redemocratização, que o governo brasileiro chega a uma eleição presidencial com tantos alertas oficiais, boletins técnicos e medidas preparatórias diante de um fenômeno potencialmente forte.

Contudo, não basta a política. Se os donos do dinheiro não tomarem juízo, não vai adiantar muito estocar alimento, equipar brigadas contra incêndio e dar auxílio a pescadores. Por isso, movimentos sociais e organizações ambientais do Brasil, da Malásia e da Indonésia preparam uma carta a dezenas de bancos cobrando que parem de financiar empresas ligadas a commodities associadas ao desmatamento, à degradação florestal e ao uso ilegal do fogo.

O documento, articulado pela Agro é Fogo em parceria com a coalizão Forests & Finance, afirma que El Niño encontrará florestas mais secas e cadeias produtivas de gado, soja, madeira, óleo de palma, papel e celulose operando em territórios já vulneráveis. Entre 2016 e 2025, segundo levantamento das organizações autoras da carta, os bancos concederam 429 bilhões de dólares em crédito a atividades relacionadas a setores definidos como vetores de desmatamento em florestas tropicais.