Premiê da Itália já foi vista como aliada próxima do americano, mas relação se desgastou no mês passado, quando ele disse a uma emissora italiana que ela havia 'implorado' para tirar uma foto com ele O presidente dos EUA, Donald Trump, se reúne com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 17 de abril de 2025 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein/Foto de Arquivo A Itália não responderá aos novos ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a primeira-ministra Giorgia Meloni, afirmaram ministros nesta terça-feira, prometendo preservar as relações bilaterais, que se deterioraram nas últimas semanas depois que os dois líderes trocaram acusações. Meloni já foi vista como uma aliada próxima de Trump, mas a relação se desgastou no mês passado, quando ele disse à emissora italiana La7 que ela havia "implorado" para tirar uma foto com ele durante uma cúpula do G7 na França. A premiê negou a afirmação e acusou Trump de inventar a história. Com ambos os líderes prestes a participar da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Ancara, nesta terça e quarta-feira, Trump pareceu reacender a disputa ao publicar na rede Truth Social uma foto de Meloni olhando para ele, acompanhada da legenda: "É PRECISO UMA ORDEM DE RESTRIÇÃO". Trump reacende provocações contra premiê da Itália em publicação nas redes sociais — Foto: Reprodução/Truth Social A nova provocação levantou dúvidas sobre como Meloni reagirá, aumentando o risco de tensões entre aliados durante a cúpula da aliança militar acompanhada de perto pela comunidade internacional. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que Roma não pretende cair na provocação e quer manter boas relações com os Estados Unidos, independentemente de quem ocupe a Presidência. "Trump fala por si mesmo. Temos um presidente americano que adora provocar, especialmente nas redes sociais. Decidimos parar de responder a esse tipo de comentário", disse Tajani ao jornal La Stampa. Outros integrantes graduados do governo, entre eles o ministro da Defesa, Guido Crosetto, adotaram tom semelhante ao serem questionados sobre uma possível resposta, enquanto o gabinete de Meloni se recusou a comentar como ela se comportará ao encontrar Trump em Ancara. No entanto, uma fonte próxima à premiê, sob condição de anonimato, descartou a possibilidade de que a líder italiana ignorasse Trump, afirmando que ela sabe lidar com esse tipo de situação e o cumprimentará "com um sorriso". Meloni foi uma defensora declarada de Trump e foi a única líder europeia a comparecer à sua posse, em 2025, esperando estreitar os laços com base na afinidade política entre ambos, de direita. Neste ano, porém, ela o criticou por atacar o papa Leão em razão das críticas do pontífice ao conflito com o Irã. A reação levou Trump a responder de forma contundente, acusando Meloni de falta de coragem. Após a troca pública de ataques, a imprensa italiana especulou que o governo poderia boicotar a tradicional comemoração do Dia da Independência dos Estados Unidos. Como gesto de boa vontade, no entanto, vários integrantes graduados do governo compareceram à recepção realizada na residência do embaixador americano em Roma na semana passada. As declarações de Trump provocaram forte condenação na Itália, e alguns partidos de oposição também manifestaram solidariedade a Meloni. O jornal italiano Il Foglio ironizou a provocação de Trump em sua primeira página desta terça-feira, publicando uma foto do presidente americano ao lado de Vladimir Putin com a mesma legenda: "É PRECISO UMA ORDEM DE RESTRIÇÃO".