PUBLICIDADE Primeira-ministra evita comentar publicação do presidente americano; ministros dizem que prioridade é preservar as relações transatlânticas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, fala durante uma coletiva de imprensa ao final da reunião do Conselho Europeu em Bruxelas, Bélgica — Foto: Nicolas Tucat/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 06/07/2026 - 11:59 Governo Italiano Defende Meloni Após Críticas de Trump Antes da Cúpula da OTAN O governo italiano defendeu a primeira-ministra Giorgia Meloni após novas críticas de Donald Trump, antes da cúpula da OTAN. Meloni evitou comentar, enquanto ministros destacaram a importância de preservar relações transatlânticas. Trump publicou uma imagem satírica de Meloni, intensificando tensões iniciadas em disputas anteriores sobre fotos e posição da Itália em conflitos internacionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O governo da Itália saiu nesta segunda-feira em defesa da primeira-ministra, Giorgia Meloni, após um novo ataque do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às vésperas da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara, na Turquia. Enquanto Meloni optou por não comentar o episódio, dois ministros afirmaram que a prioridade do país é preservar as relações transatlânticas e evitar alimentar a troca de declarações. A nova ofensiva de Trump ocorreu no domingo, quando o presidente americano publicou na Truth Social uma imagem manipulada em que Meloni aparece olhando para ele com os olhos esbugalhados, acompanhada da legenda, em letras maiúsculas: “Ordem de restrição necessária”. A publicação foi feita sem comentários adicionais e integrou uma série de postagens compartilhadas por Trump no fim de semana. O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou à emissora Sky TG24 que a mensagem, reproduzida na capa dos principais jornais italianos nesta segunda-feira, “não requer comentários”. Segundo ele, o governo não pretende responder às provocações do presidente americano. — Dissemos desde o início que não responderíamos a esse tipo de declaração, então vamos passar para outro assunto — afirmou Tajani, acrescentando que continua convencido de que as relações transatlânticas vão muito além de declarações individuais. O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, que acompanhará Meloni na cúpula da Otan na terça e na quarta-feira, também procurou minimizar o impacto da publicação. Segundo ele, o mais importante é “preservar a unidade” entre os aliados ocidentais. — O essencial é preservar as relações transatlânticas. O importante é manter a unidade da Aliança Atlântica e do mundo ocidental — declarou Crosetto à Sky TG24. Disputa pública O novo episódio ocorre semanas após uma disputa pública entre Trump e Meloni iniciada durante a cúpula do G7. Na ocasião, o presidente americano afirmou à emissora italiana La7 que a premier havia “implorado” para tirar uma foto com ele durante o encontro e repetiu a alegação posteriormente na Truth Social: “Ela queria tanto uma foto comigo. Eu não teria tirado, mas fiquei com pena dela”, escreveu Trump. Meloni respondeu classificando a acusação como “completamente inventada” e afirmando que “nem eu, nem a Itália imploramos por nada”. A premier também criticou Trump por, segundo ela, tratar aliados dos EUA de forma mais dura do que seus adversários. Trump voltou a insistir na versão, afirmando que Meloni havia pedido uma fotografia “repetidas vezes” e sugerindo que ela buscava elevar seus índices de aprovação. Ele também criticou a posição da Itália em relação às operações militares americanas contra o Irã e afirmou que a premier queria retomar a aproximação após a ação dos Estados Unidos. A troca de ataques marcou uma deterioração da relação entre os dois líderes, que no início do ano era vista como uma das mais próximas entre Trump e um chefe de governo europeu. Meloni era amplamente descrita como a “encantadora de Trump” e se destacou por ter sido a única líder europeia a ocupar um lugar na primeira fila da posse de Trump, em 2025. Os primeiros sinais de desgaste na relação surgiram em março, quando o Ministério da Defesa da Itália recusou autorização para que aeronaves militares americanas com destino ao Oriente Médio utilizassem a base aérea da OTAN em Sigonella, na Sicília, sem aprovação do Parlamento. A decisão refletiu exigências constitucionais italianas e a ampla oposição da opinião pública à guerra iniciada por EUA e Israel em 28 de fevereiro. O desentendimento se intensificou em abril, quando Trump criticou o Papa Leão XIV após o Pontífice condenar a guerra, chamando-o de “fraco no combate ao crime”. Meloni condenou as declarações de Trump sobre o Papa, afirmando em nota: “Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump dirigidas ao Santo Padre. O Papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e natural que faça apelos pela paz”. Trump respondeu aos comentários em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera: — Ela é que é inaceitável, porque não se importa se o Irã tiver uma arma nuclear e explodiria a Itália em dois minutos se tivesse oportunidade — disse o presidente americano, em declarações traduzidas pelo Politico, acrescentando que ficou “chocado” com as declarações da premier. — Achei que ela fosse corajosa, mas estava errado. A expectativa é que os dois voltem a se encontrar pessoalmente durante a cúpula da Otan desta semana. (Com AFP)