Desarmamento não está nos planos do grupo palestino, afirma Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Palestinos caminham diante de prédios destruídos e abrigos improvisados ​​perto do campo de refugiados de al-Shati, a oeste da Cidade de Gaza — Foto: Omar al-Qattaa/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 07/07/2026 - 06:39 Hamas planeja transferir administração de Gaza, mas rejeita desarmamento O Hamas anunciou a intenção de transferir a administração da Faixa de Gaza para uma gestão tecnocrática palestina, seguindo o plano de Donald Trump, mas descarta o desarmamento, um ponto crucial do acordo de cessar-fogo. A decisão visa aliviar o ônus administrativo e pressionar Trump a negociar concessões de Israel. No entanto, a ocupação israelense de 60% do território permanece inalterada no curto prazo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. O Hamas anunciou que pretende passar a administração da área da Faixa de Gaza sob seu controle para uma administração tecnocrática palestina, seguindo o plano de Donald Trump para encerrar o conflito entre o grupo e Israel. A organização, no entanto, não disse que irá se desarmar, uma outra demanda do acordo firmado em outubro do ano passado para estabelecer um cessar-fogo no território. Situação – Antes de prosseguir, vale recordar como está o cenário na Faixa de Gaza. Israel controla cerca de 60% do território e, de acordo com Benjamin Netanyahu, pretende ampliar para 70%. A área dominada pelos israelenses foi completamente destruída. Não há quase nenhuma edificação de pé. A imensa maioria da população foi expulsa para a região controlada pelo Hamas, que também sofreu enorme destruição e tem como centro a Cidade de Gaza. Combates – Os combates continuam em baixa intensidade, especialmente com bombardeios israelenses às áreas do Hamas. Mais de mil palestinos foram mortos durante o cessar-fogo. Mais de 70 mil palestinos, incluindo milhares de crianças, foram mortos nas ações israelenses ao longo dos dois anos de guerra, iniciada em 2023 depois de o atentado terrorista do Hamas matar mais de 1.200 pessoas em Israel e manter outras 240 como reféns. Objetivos – A decisão do Hamas teria dois objetivos principais. O primeiro seria ficar sem o ônus da administração no dia a dia, focando apenas na parte militar. Com uma administração tecnocrática, poderia entrar dinheiro em Gaza e o próprio grupo poderia ser beneficiado por um governo mais eficiente. Esses tecnocratas não integram a Autoridade Palestina, que foi ignorada por Trump em seu plano. Pressão – O segundo motivo para a ação do Hamas seria tentar mostrar que está fazendo algo para o acordo e, desta forma, tentar levar Trump a pressionar Israel a fazer concessões. Não está claro se o presidente norte-americano fará algo, mas talvez tente convencer Netanyahu a permitir a implementação da administração de tecnocratas. É importante salientar aqui que o atual governo em Gaza é controlado pelo Hamas, mas muitos membros da burocracia governamental não integram o grupo. Sem retirada – Não há a menor possibilidade de Israel se retirar dos 60% que controla em Gaza no curto e médio prazo. O governo israelense deixa isso muito claro. Ainda que a coalizão de Netanyahu seja derrotada em eleições no segundo semestre, a oposição tende a manter a ocupação, que se tornou uma zona tampão e, na prática, inabitável. Sem desarmamento – O Hamas pode ter aceitado entregar a administração de Gaza para um governo de tecnocratas. Não há, no entanto, a menor possibilidade de o grupo se desarmar. O objetivo da organização sempre foi manter o monopólio da força no território e ainda luta contra algumas outras milícias opositoras.