Faculdades não conseguem ajustar valor de mensalidade na graduação semipresencial Rodrigo Capelato: “As faculdades ainda não estão adequadas às novas regras do ensino a distância” — Foto: Divulgação As faculdades estão reduzindo o preço da mensalidade dos cursos semipresenciais. Esse movimento, que começou no fim do ano passado, fez com que a diferença no valor médio entre as graduações híbrida e on-line seja, atualmente, de apenas R$ 42. As instituições de ensino não estão conseguindo praticar preços equivalentes aos custos da graduação híbrida, que são maiores devido às novas regras do Ministério da Educação (MEC), que passou a exigir mais aulas presenciais, professores e laboratórios com melhor infraestrutura. Esse cenário acende uma luz amarela, uma vez que o semipresencial deve ser o modelo prevalente no ensino superior. “As faculdades passaram a dar descontos devido a uma combinação de fatores: alunos sem renda para pagar uma mensalidade maior diante do atual cenário econômico, e com dívidas. As instituições também não estão conseguindo explicar bem aos alunos como funcionam as novas regras do semipresencial”, disse Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, sindicato do setor. O valor médio da mensalidade da graduação híbrida é de R$ 282 e do curso on-line, R$ 240. Na graduação presencial, fica em R$ 814 (sem considerar a graduação de medicina). Esses valores são os preços praticados pelas faculdades que, por sua vez, já são entre 30% e 45% inferiores aos reportados ao MEC (veja tabela). O governo exige que as mensalidades sejam informadas. Os dados são do Instituto Semesp, que fez um levantamento com 170 cursos presenciais, 90 de EAD e 54 semipresenciais ofertados por 614 instituições de ensino privadas. Entre elas estão faculdades de vários portes. Pesquisa da consultoria Hoper Educação também mostra queda de preços de cursos híbridos. O valor mediano das mensalidades recuou 14,3% em relação a 2025. É a menor variação quando se comparam as três modalidades de graduação. No on-line, a redução foi de 6,8% e no presencial, de 1,8%. “Havia expectativa de uma mensalidade mais alta porque os novos cursos semipresenciais têm uma carga presencial maior. No fim do ano passado, as instituições de ensino tentaram reajustar o preço para o vestibular de verão de 2026, mas não houve adesão dos alunos. Neste começo de ano, tentaram aumentar novamente e também não deu certo. Daí, concederam desconto para conseguir mais matrículas”, explicou Paulo Presse, consultor da Hoper. No atual processo seletivo de meio do ano, o híbrido continua sendo o formato mais procurado quando comparado ao presencial e on-line, mas é uma demanda inferior à esperada. Com isso, os valores das mensalidades devem ser mantidos. Segundo os especialistas do setor, esse cenário afeta tanto as escolas de menor porte quanto os grandes grupos. Mas as listadas têm caixa para fazer os investimentos e absorver algumas perdas neste começo de implementação do novo marco regulatório do EAD a fim de ganhar mercado. O levantamento do Semesp mostra que o valor médio das mensalidades em cursos semipresenciais e EAD é menor nos grandes grupos (com mais de 7 mil alunos). Eles conseguem oferecer valores competitivos em cursos a distância por causa da escala que reduz custos, além de terem um caixa mais robusto. Já no curso presencial, não houve diferença significativa. As instituições sem fins lucrativos apresentam também uma mensalidade média maior do que as com fins lucrativos (sem medicina). Um dos caminhos que vêm sendo adotados pelos grandes grupos é a oferta de parcelamento das três primeiras mensalidades, fenômeno visto no vestibular de verão. “Quando as instituições de ensino começam a oferecer esse tipo de iniciativa, é um sinal claro de baixa demanda”, disse o consultor da Hoper. Presse também notou uma dificuldade das escolas em explicar e ofertar o curso híbrido já conforme as novas regras do marco regulatório do EAD. A modalidade de cursos híbridos foi regulamentada pelo MEC em maio de 2025, com um período de transição até meados do ano seguinte. As novas regras já estão valendo para calouros, mas como há esse tempo de adaptação, muitas instituições de ensino ainda não implementaram por completo as adequações. Levantamento do Semesp com faculdades, que juntas reúnem 2,6 milhões de alunos, mostra que apenas 40% das entrevistadas informaram que já implementaram metodologias pedagógicas de aprendizagem para cursos a distância. “Existe um movimento de adaptação em andamento, mas muitas instituições ainda estão buscando compreender quais são os modelos mais adequados e como o MEC espera que esse conceito seja operacionalizado dentro do novo marco regulatório”, afirmou Fábio Reis, diretor de inovação acadêmica e redes de cooperação do Semesp. Reis destaca que o prazo de transição estabelecido pelo Ministério da Educação contribui para que muitas instituições ainda não tenham alterado seus modelos acadêmicos. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, outro motivo para um processo mais lento para implementação das novas regras é o risco de mudanças ou flexibilização do marco regulatório do EAD num possível novo governo. “Acredito que, há sim, instituições esperando as eleições. Talvez estejam questionando se vale promover investimentos em tecnologias, contratação de professores e tutores neste momento já que há uma transição até meados de 2027”, disse Presse. Segundo Capelato, passada a fase de transição, há possibilidade de as faculdades concederem menos descontos sobre o valor da mensalidade reportado ao MEC. Com isso, a diferença de preços entre as graduações on-line e híbrida deve ser maior. As instituições de ensino reportam o valor de suas mensalidades ao MEC conforme exigido pela legislação. Porém, na prática, os preços praticados são sempre inferiores. No on-line, a diferença chega a quase 65%. No curso híbrido de Geografia, por exemplo, a mensalidade efetivamente cobrada é 50% inferior ao reportado ao MEC. No presencial, o abatimento vai até 53%.
Diferença de preço entre curso on-line e híbrido cai a R$ 42
Faculdades não conseguem ajustar valor de mensalidade na graduação semipresencial








