Brasil responde por pouco mais de 1% do volume de azeite consumido no país. Altitude e frio são favoráveis ao plantio no estado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Oliveiras de Márcio Thomaz, que prevê lançar o Azeite Cruz de Malta — Foto: Lucas Thomaz/Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 06/07/2026 - 20:35 Crescimento da Olivicultura no Paraná: Investimentos e Expansão A olivicultura ganha força no Paraná, com 140 hectares cultivados e expectativa de crescimento, impulsionada por condições climáticas favoráveis. Produtores como Márcio Thomaz e João Thadeu Loureiro investem no setor, visando lançar marcas próprias de azeite. O IDR-Paraná e a Embrapa trabalham para fornecer informações técnicas e suporte, enquanto o Brasil ainda depende de importações para suprir a demanda interna. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Já presente nos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo, a olivicultura, produção de oliveiras para fabricação de azeites, começa a ganhar força no Paraná. Hoje, são 140 hectares cultivados de forma comercial e para pesquisas no estado, mas a perspectiva é de aumento do plantio. A área atual é o dobro da cultivada há 10 anos, quando os plantios comerciais começaram a se expandir. Foi entre 2017 e 2021 que novos produtores entraram na atividade, e o cultivo alcançou cem hectares, segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná). Agora, a expectativa é que, no médio prazo, os consumidores possam contar com um portfólio de azeites de oliva paranaenses, diz Laís Adamuchio de Oliveira, assessora estadual de projetos do IDR-Paraná. Entre os produtores que se movimentam para colocar azeite no mercado está Márcio Thomaz, da cidade de Irati. — A cultura tem muito potencial — avalia. Ele implantou o pomar em 2020, com 6 mil pés de oliveiras distribuídos em 18 hectares e usou mudas de oito variedades. Com plantio e produção escalonada, Thomaz colheu os primeiros frutos em 2025. Foram 3 mil quilos, que renderam a produção experimental de 500 litros de azeite. — Este ano promete, porque o clima está ajudando — projeta o agricultor, que investiu na construção de um lagar, instalação destinada ao processamento das azeitonas para extração do azeite. Com processo de liberação para a comercialização do produto em andamento no Ministério da Agricultura, Thomaz espera em breve lançar o Azeite Cruz de Malta, que leva o nome da propriedade. Segundo ele, até o momento, todo o investimento na atividade foi feito com recursos próprios: — Esperamos a comprovação de que a região é propícia para a olivicultura, a fim de obter acesso a linhas de crédito. Segundo o IDR-Paraná, há hoje no estado 69 municípios aptos ao cultivo de oliveiras. O que eles têm em comum é a combinação entre altitude — 800m a 1.200m acima do nível do mar — e disponibilidade de horas de frio durante o outono e o inverno (com 400 a 1.000 horas de frio, inferiores a 12,5° C, acumuladas entre abril e julho), fator indispensável para o desenvolvimento adequado e uma boa floração das plantas. Colheita tardia e frio deixam as maçãs desta safra mais doces: entenda o chamado ‘pingo de mel’ nas frutas O instituto lançou um boletim técnico em junho, em parceria com a Embrapa, com as informações sobre os riscos climáticos para a cultura, períodos mais adequados para o plantio e sobre as cultivares mais adaptadas à região. Segundo Laís Adamuchio de Oliveira, a publicação preenche uma das principais lacunas da cadeia produtiva: a falta de informações regionalizadas sobre o cultivo da espécie. Além do boletim, o instituto solicitou ao Ministério da Agricultura o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura, o que pode viabilizar opções de crédito aos produtores. Será o primeiro zoneamento para olivicultura do Brasil. Produção experimental do azeite Cruz de Malta, que leva o nome da propriedade de Márcio Thomaz — Foto: Lucas Thomaz/Divulgação Ela afirma que é cedo para estimar o quanto a área deve crescer, mas diz que há um esforço coletivo para ampliar a produção estadual. — Os materiais genéticos recomendados para a região têm foco na produção de azeite de oliva. A meta é que os produtores possam apostar na produção autoral, com certificação, pois identificamos que há mercado para isso — acrescenta. Outro projeto para incentivar a produção do azeite com assinatura paranaense, segundo a assessora, prevê a implantação de uma rota de turismo rural nas regiões de olivicultura. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), o Brasil produz pouco mais de 1% do volume de azeite consumido no mercado doméstico, que é de cem milhões de litros ao ano. O restante é importado, principalmente de países da Europa, além de Argentina e Chile. Embora haja entusiasmo com cultura no Paraná, Marcos Wrege, pesquisador da Embrapa Florestas e um dos autores do boletim técnico, observa que há desafios: — No Brasil, as condições para o cultivo de oliveiras são marginais, não são as mais adequadas como na região do Mediterrâneo. Ainda assim, lembra, há áreas com microclimas favoráveis. Wrege também aponta a necessidade de um amplo programa de melhoramento genético da espécie para aumentar a produtividade dos olivais no país. — Atualmente, todo o material genético que utilizamos vem da Europa e isso não é o ideal — avalia. O produtor João Thadeu Loureiro, de Palmas (PR), cultiva oliveiras há cinco anos. Hoje, ele tem 9 hectares plantados e planeja ampliar para 12 no próximo ano. Com 2 mil pés de quatro variedades, ele comemora o primeiro ano de produção de azeitonas em 2025, que resultou em cerca de 100 litros de azeite de oliva. A meta, segundo Loureiro, é produzir 5 mil litros de azeite dentro de dois anos. A extração do azeite é feita em Campo Erê, município catarinense próximo a Palmas. — Esperamos em breve poder comercializar o azeite da marca Família Loureiro — diz.
Oliveiras avançam no Paraná, mas azeitonas brasileiras respondem por apenas 1% do azeite consumido no país
Brasil responde por pouco mais de 1% do volume de azeite consumido no país. Altitude e frio são favoráveis ao plantio no estado








