Depois de enfrentarem prorrogações sob forte calor na última sexta-feira, Argentina e Egito têm um adversário em comum no embate desta terça-feira, às 13h (de Brasília), em Atlanta: o cansaço. Os dois elencos estão entre os mais velhos que ainda disputam esta Copa do Mundo, considerando as seleções que chegaram às oitavas de final, e jogam sob a liderança de Lionel Messi e Mohamed Salah, craques veteranos que têm dosado o esforço em campo para driblar questões físicas que antecederam o Mundial. Levantamento do GLOBO com base em estatísticas divulgadas pela Fifa aponta o Egito como a quarta seleção com maior distância percorrida em campo neste Mundial: a média é de 122 quilômetros por jogo. No caso da seleção argentina, cujos jogadores percorreram 114 quilômetros por partida, o desafio é dar respiro a Messi. Aos 39 anos, cinco a mais que Salah, o ídolo argentino será o titular mais velho hoje, em um torneio que tem lhe exigido fisicamente de forma similar à do Mundial da Rússia, quando era oito anos mais jovem. Na Copa de 2018, em uma bagunçada Argentina que caiu para a França nas oitavas, Messi percorreu 7,9 quilômetros por jogo. Neste ano, a média do argentino a cada 90 minutos em campo é parecida: 7,7 quilômetros, abaixo do registrado na campanha de 2022, quando Messi cobria quase nove quilômetros por partida. A solução para conciliar a necessidade de um Messi protagonista com as restrições físicas no atual estágio da carreira — ele viveu seu ciclo de Copa com mais lesões, por exemplo — tem sido deixá-lo em campo por menos minutos do que o habitual. O argentino foi substituído na estreia com a Argélia e só atuou por meia hora contra a Jordânia, na fase de grupos, o que o deixa com 320 minutos de ação no Mundial. Salah já atuou por 337 minutos. Na dramática vitória sobre Cabo Verde na prorrogação, porém, o técnico Lionel Scaloni teve que manter Messi em ação por todos os 120 minutos. E isso no clima úmido de Miami, com termômetros marcando 30 graus. Melhores momentos de Argentina x Cabo Verde Após a vitória na segunda fase, Scaloni já havia reclamado do intervalo de apenas três dias antes de enfrentar o Egito. Ele precisou ainda cancelar um treino no sábado, em Miami, por conta de uma tempestade com raios. Na segunda-feira, em entrevista coletiva, o treinador lembrou que as condições climáticas tornam esta Copa “mais complicada para todos” e pediu que a seleção tente cadenciar mais o jogo. — Precisamos nos defender com a bola nos pés em vez de fazer jogadas tão rápidas. Nos últimos jogos, estávamos recuperando a bola e atacando de maneira apressada — avaliou Scaloni. A exemplo de Messi, Salah encarou uma prorrogação desgastante contra a Austrália, em Dallas, onde os termômetros chegaram a bater 35 graus na sexta. A seleção egípcia adiantou sua chegada a Atlanta, palco do jogo desta terça, para ter mais tempo de treino, mas também precisou cancelar a atividade de domingo devido ao mau tempo. Em entrevista coletiva, o técnico egípcio Hossan Hassan procurou minimizar o impacto que essas condições podem ter na intensidade de sua seleção. Além de se mexer bastante em campo, os egípcios têm corrido muito: a média, segundo os dados da Fifa, é de 502 piques (corridas acima de 20km/h) por jogo, atrás apenas de Bélgica, Canadá e Senegal. — O intervalo entre os jogos é curto e as condições climáticas foram adversas, mas procuramos recuperar fisicamente os jogadores da maneira correta. A Argentina merece respeito, mas quanto mais forte for nosso adversário, mais vamos nos empenhar — disse Hossan. Melhores momentos de Austrália x Egito Salah, que está só a uma bola na rede de igualar o recorde de 69 gols de seu treinador quando jogava pela seleção egípcia, passou em branco contra a Austrália, mas não por falta de esforço. O atacante acumulou 13 quilômetros em seu GPS na última partida, a terceira maior distância percorrida entre os jogadores do Egito na ocasião. Aos 34 anos, o atacante tenta mostrar nesta Copa que ainda tem lenha para queimar, após ter anunciado sua saída do Liverpool (ING) ao fim da última temporada. Ele ainda não definiu qual será seu próximo clube, mas já foi especulado na MLS, a liga dos EUA. Neste Mundial, Salah já acumula 38 quilômetros percorridos, o quinto maior índice do Egito. Assim como a de Messi — que, com 27 quilômetros percorridos, também é um dos argentinos com mais “rodagem” no torneio —, a movimentação de Salah costuma ser feita em velocidades mais baixas, na comparação com seus companheiros. Os 147 piques dados pelo egípcio até aqui, por exemplo, o deixam atrás do índice acumulado por sete dos dez titulares de linha de sua seleção. A mesma situação acontece com Messi, que acumula 96 piques no Mundial. Entre os titulares argentinos, ele só supera o volante Alexis Mac Allister, que costuma atuar mais recuado, e a dupla de zaga Romero e Lisandro Martínez. Além de Messi e Salah, as duas adversárias contam com outros veteranos entre seus convocados. São os casos do zagueiro Otamendi, de 38 anos, hoje reserva, e do lateral-esquerdo Tagliafico, de 33, que deve voltar a ser titular da Argentina hoje, após conviver com lesões antes do Mundial. No Egito, os zagueiros Ibrahim e Rabia, ambos com 33 anos, ajudam a elevar a média de idade da seleção. Ambas as equipes chegaram à Copa com média de idade de 28,7 anos. Entre as seleções que avançaram às oitavas, só ficam atrás da Colômbia, com média de 29,6 anos, e do já eliminado Brasil, cujos convocados tinham média de 28,8 anos. Preocupado com a parte física de sua seleção, Scaloni sinalizou que pode escalar o volante Paredes no lugar do meia Almada, dando mais fôlego na marcação. Quem passar hoje terá quatro dias de intervalo para se recuperar — na medida do possível — antes de encarar Suíça ou Colômbia nas quartas de final.