"Destruidora de lares", "japa feia", "a namolada de John Rennon". Assim a imprensa e muitos fãs dos Beatles se referiam a Yoko Ono por volta de 1970, quando os "Fab Four" anunciaram oficialmente sua separação.

Para muitos, Ono era uma mulher sedutora e maquiavélica, que aproveitara a fragilidade emocional de Lennon —que passava por um momento de vício em drogas, especialmente heroína— para entrar na vida dele e acabar com a maior banda de rock de todos os tempos.

A fama de Ono era tamanha que o apresentador de TV Dick Cavett se referiu a ela como "uma das mulheres mais controversas desde a duquesa de Windsor".

À época, poucos lembraram que foi John que, em 1966, se encantara pela artista plástica que fazia uma exposição de arte de vanguarda em Londres. Ono sabia dos Beatles, claro, mas não tinha a dimensão da importância deles: "Eu tinha ouvido falar dos Beatles e conhecia o nome ‘Ringo’, e ninguém vai acreditar em mim, mas Ringo ficou na minha memória porque ‘ringo’ é ‘maçã’ em japonês. Eu não ouvia rock’n’roll, mas conheci John e senti que ele era um homem muito interessante", diria Yoko numa entrevista.

Uma nova biografia, "Yoko", tenta fazer justiça à história dessa mulher tão fascinante quanto polêmica. O livro foi escrito por David Sheff, jornalista e autor britânico que assinou reportagens e entrevistas para The New York Times, Rolling Stone e Playboy e ficou famoso com o livro autobiográfico "Querido Menino: Jornada de um Pai Contra a Dependência Química de seu Filho", em que relatava a luta para ajudar o filho, dependente de metanfetamina. O livro foi adaptado para o cinema em 2018, com Steve Carell no papel do pai e Timothée Chalamet interpretando o filho.