Ele foi o terror da cidade. No começo não usava violência física. Invadia casas, rendia os moradores e roubava principalmente joias. Também deixava bilhetes irônicos recomendando, por exemplo, que as vítimas estivessem vestidas na próxima vez que ele as assaltasse. Agia sozinho e não demonstrava medo de ser pego. Sempre muito vaidoso, vestia ternos escuros, chapéu de feltro, um lenço vermelho sobre o rosto e usava dois revólveres. Queria parecer um bandoleiro.

Poucos criminosos marcaram tanto a história de São Paulo como João Acácio Pereira da Costa, conhecido como o Bandido da Luz Vermelha. Seu período mais ativo foi em meados dos anos 1960, quando passou a se comportar com brutalidade extrema. Na sua extensa ficha criminal, constavam 77 assaltos, dois homicídios, dois latrocínios e sete tentativas de homicídio, segundo informações da Reserva Técnica do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Nascido em 1942 na região de Joinville, em Santa Catarina, João Acácio cometeu assaltos desde a adolescência. Aos 18 anos veio para São Paulo e se instalou em Santos. Subia a serra de ônibus para cometer crimes na capital e depois voltava para o litoral, onde passava por um jovem tranquilo e educado, mas meio excêntrico, que gostava de se vestir como o cantor Roberto Carlos e tinha um apartamento todo pintado de vermelho, cor pela qual tinha obsessão. Dizia-se filho de fazendeiros.