Crime levou peças do acervo de um dos mais importantes museus dedicados ao artista francês René Lalique 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Peças do acervo do Museu Lalique, na Alsácia, e vista externa da instituição, alvo de um roubo milionário na madrugada de domingo — Foto: Reprodução A França voltou a enfrentar um grande roubo contra seu patrimônio cultural. Na madrugada de domingo, um grupo de criminosos invadiu o Museu Lalique, na cidade de Wingen-sur-Moder, no nordeste do país, e furtou cerca de 20 joias de cristal avaliadas em aproximadamente € 4 milhões (cerca de R$ 25 milhões). A ação durou poucos minutos, terminou sem prisões e levantou questionamentos sobre o sistema de segurança da instituição, que permaneceu fechada após o crime. Dedicado à obra do joalheiro e mestre vidreiro francês René Lalique (1860-1945), um dos principais nomes da Art Nouveau e da Art Déco, o museu abriga centenas de peças históricas produzidas pelo artista e é considerado uma das principais atrações culturais da região da Alsácia. Como ocorreu a invasão Segundo informações divulgadas pelas autoridades francesas, a invasão aconteceu por volta das 5h30 (horário local). Os criminosos, vestidos com roupas escuras e capuzes, arrombaram uma porta do museu e seguiram diretamente para a galeria dedicada às joias. No interior da sala, quebraram seis vitrines e recolheram rapidamente as peças expostas antes de fugir. A rapidez da operação chamou a atenção dos investigadores, que trabalham com a hipótese de que o grupo conhecia previamente a disposição do acervo e o funcionamento do edifício. Até o momento, a polícia não informou quantas pessoas participaram da ação nem qual foi a rota utilizada durante a fuga. As autoridades estimam que aproximadamente 20 joias tenham sido roubadas. Diferentemente de peças tradicionais da alta joalheria, elas eram produzidas em cristal e não continham pedras preciosas. Ainda assim, possuem elevado valor histórico e artístico. René Lalique revolucionou a joalheria no fim do século XIX ao incorporar materiais como vidro, esmalte, cristal e chifre em suas criações, rompendo com a tradição baseada apenas em ouro e pedras preciosas. Investigadores acreditam que as obras dificilmente possam ser revendidas em mercados convencionais justamente por serem facilmente identificáveis. A principal hipótese é que tenham sido encomendadas por colecionadores clandestinos ou destinadas ao mercado ilegal de obras de arte. O valor definitivo do prejuízo continua sendo calculado, mas a estimativa divulgada pelas autoridades é de cerca de € 4 milhões. Além do impacto financeiro, especialistas destacam a perda cultural representada pelo desaparecimento de obras originais de um dos artistas franceses mais influentes do século XX. Falha na segurança está no centro da investigação Embora o sistema de alarme tenha disparado durante a invasão, os criminosos conseguiram escapar antes da chegada das autoridades. Segundo a investigação, quem encontrou o museu arrombado foi uma funcionária da limpeza, ao chegar para trabalhar no início da manhã. Foi ela quem acionou a polícia. O episódio gerou críticas à empresa responsável pelo monitoramento da instituição. O prefeito de Wingen-sur-Moder, Christian Dorschner, afirmou que os alarmes funcionaram normalmente, mas classificou como uma falha grave o fato de não ter havido intervenção imediata nem comunicação rápida às forças de segurança. A polícia analisa imagens das câmeras internas e externas do museu para tentar identificar os autores do roubo e reconstruir a rota de fuga. Até esta segunda-feira, ninguém havia sido preso, e as autoridades ainda não divulgaram a identidade dos suspeitos nem a lista completa das peças levadas. Após o crime, a direção do Museu Lalique informou que a instituição permanecerá fechada por tempo indeterminado para permitir o trabalho da perícia e a revisão dos protocolos de segurança. Inaugurado em 2011 ao lado da histórica fábrica Lalique, o museu reúne mais de 650 peças, entre joias, esculturas, objetos em vidro, desenhos e documentos relacionados à trajetória de René Lalique. O caso ocorre poucos meses depois de outro roubo de grande repercussão envolvendo o patrimônio cultural francês: o furto de joias da Galeria d'Apollon, no Museu do Louvre, em Paris.