Prefeitura diz que contrato de R$ 4 milhões cobre operação do novo equipamento público; oposição cobra transparência na realização do evento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Arena Niterói recebeu dois shows de Roberto Carlos, um para convidados e outro com venda de ingressos — Foto: Divulgação/Evelen Gouvea RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 18:53 Inauguração da Arena Niterói com Roberto Carlos gera polêmica sobre custos e transparência A inauguração da Arena Niterói com show de Roberto Carlos gerou controvérsias sobre custos e distribuição de convites. Vereadores questionam a falta de transparência do contrato de R$ 4 milhões e a seleção de convidados. A prefeitura nega pagamento de cachê ao artista, alegando patrocínio da Águas de Niterói. A oposição cobra explicações, enquanto o Ministério Público avalia as denúncias. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma semana após os shows de Roberto Carlos na Arena Niterói, na inauguração do novo equipamento público da cidade, a realização do evento passou a ser questionada por vereadores da oposição ao governo municipal em relação a custos, critérios de convite e participação de patrocinadores. Apenas a apresentação de sábado teve venda de ingressos, que chegaram a mil reais, enquanto a estreia, na sexta-feira, foi restrita a convidados. Membro da Comissão de Orçamento da Câmara, o vereador Daniel Marques (PL) protocolou requerimento para a prefeitura e representação no Ministério Público solicitando informações sobre o custo total da inauguração, a contratação do evento e a forma de distribuição dos convites. Segundo ele, a distribuição de ingressos do programa municipal 60Up, da Secretaria municipal de Idosos, não teria contemplado todos os núcleos de idosos. — Os núcleos começaram a nos procurar antes do evento dizendo que não havia convite para todos. Em alguns casos, grupos com dezenas de idosos receberam poucos ingressos. Isso me chamou a atenção. Se são 25 núcleos, não é possível que apenas parte deles tenha sido contemplada. Isso precisa ser explicado com transparência — disse. Após fiscalizar o evento de abertura — tendo sido barrado em um primeiro momento —, Marques afirma que o público presente reuniu autoridades, convidados e representantes de diferentes setores. O vereador também contesta o valor do contrato divulgado no Diário Oficial, de cerca de R$ 4 milhões, e diz que o documento não detalha a separação dos custos do espetáculo. Segundo ele, havia forte presença de autoridades e convidados ligados à administração municipal durante o evento. — Era um evento claramente com cunho político e em ano eleitoral. O que vi foi o prefeito e a primeira-dama recebendo convidados. Não sei se o Rodrigo Neves aproveitou para comemorar o aniversário dele. É importante entender quais foram os critérios de acesso. Quando questionei os dados, não obtive respostas completas da prefeitura. A promotoria que recebeu a minha denúncia informou que já oficiou a prefeitura, e nós vamos complementar com udo o que vimos lá dentro para entender o que está acontecendo. Isso é um evento público, pago com dinheiro público, e precisa de total transparência — declarou o parlamentar. Dúvidas sobre o cachê Marques afirmou ainda que pretende oficiar a concessionária Águas de Niterói após declarações de um representante do governo municipal indicando que o cachê do artista teria sido patrocinado pela empresa. — Não faz o menos sentido a Águas de Niterói patrocinar um show do Roberto Carlos em evento fechado, com distribuição de convites pela prefeitura. Vamos cobrar explicações sobre qual é a relação da empresa com esse evento — disse. Em vídeo publicado nas redes sociais em resposta às publicações da oposição, o secretário regional de Icaraí, Raphael Costa, afirmou que o cachê de Roberto Carlos foi patrocinado pela concessionária Águas de Niterói e que o contrato de cerca de R$ 4 milhões que vinha sendo criticado se refere à operação da Arena durante sua fase inicial de funcionamento. Em nota, a prefeitura afirmou que não houve pagamento de cachê ao cantor Roberto Carlos e classificou a informação como “mais uma falsa notícia espalhada por vereadores de oposição”. Segundo a administração municipal, o valor de cerca de R$ 4 milhões refere-se à operação da Arena durante sua fase inicial de funcionamento, entre os dias 15 e 26 de junho. “Ao contrário do que foi divulgado, o valor do contrato refere-se à operação da Arena durante sua fase de abertura e eventos testes”, diz a nota. A prefeitura afirmou ainda que o evento contou com idosos do programa 60Up, além de representantes da sociedade civil e instituições públicas, mas não informou quantos idosos participam do programa, quantos foram convidados para o evento nem qual foi o público total do show, tampouco detalhou os critérios de distribuição dos convites ou o valor do cachê do artista. “Como ocorre em ações de patrocínio, a empresa patrocinadora também teve direito à distribuição de convites institucionais”, afirma o governo. A concessionária Águas de Niterói informou que patrocinou parte da programação dos eventos de inauguração da Arena. Segundo a empresa, o apoio incluiu contrapartidas como exibição de vídeos institucionais, exposição de marca na arena, instalação de pontos de hidratação, área exclusiva para convidados e distribuição de convites. A empresa afirmou ainda que divulgou o patrocínio em seus canais oficiais e em painel de LED instalado em frente ao equipamento. A concessionária não informou, no entanto, valores investidos nem detalhou o número de convites distribuídos. O Ministério Público ainda não respondeu aos questionamentos feitos pela equipe de reportagem. Até o momento, não há retorno sobre eventual abertura de procedimento ou detalhes da análise da representação apresentada.