CEO Thomaz Machado conversou com a coluna sobre as tendências do consumo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Thomaz Machado, CEO da Scanntech Brasil — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 20:07 Tendências de Consumo: Saúde e Produtos Premium Ganham Espaço no Brasil A Scanntech, liderada por Thomaz Machado, destaca tendências no consumo brasileiro, como a busca por saudabilidade e produtos premium. As canetas emagrecedoras estão impactando o varejo, com queda no consumo de alimentos processados e aumento na demanda por proteínas e suplementos. A "Copa da Airfryer" reflete a popularidade de snacks convenientes. Refrigerantes zero e cervejas sem álcool crescem, mostrando uma mudança nos hábitos de consumo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Conectada aos sistemas de lojas de todo o Brasil, a provedora de dados Scanntech virou uma das fontes preferidas dos analistas da Faria Lima graças a um ponto de observação privilegiado sobre o varejo. Sua tecnologia “lê”, em tempo real, mais de R$ 1,1 trilhão em vendas por ano, identificando as principais tendências de consumo graças a uma penetração de 85% no setor de supermercados. Em conversa com a coluna, o CEO da operação no Brasil, o ex AB InBev Thomaz Machado, contou como as canetas emagrecedoras já têm um impacto macroeconômico sobre o varejo, como a tendência de busca por produtos saudáveis molda diversas categorias de consumo e por que esta Copa está ganhando o apelido de “Copa da Airfryer”. Quais tendências vocês têm observado no consumo dos brasileiros? As grandes tendências estão ligadas à saudabilidade, ao “viver melhor” Não são novas, mas chama atenção sua franca aceleração. As canetas emagrecedoras derivam disso e também aceleram esse movimento, assim como o consumo ligado à estética. Outras derivadas são o que chamamos de "viver mais". Com o envelhecimento da população e o menor número de filhos, as compras e o preparo de alimentos estão mudando. Por fim, identificamos a demanda por conexões autênticas. As pessoas estão mudando a forma como interagem, tornando-se mais diurnas e adotando pets. Quais são os impactos disso tudo na cesta do consumidor? Há um crescimento muito forte no consumo de proteínas, como carne, frango e ovos, além de suplementos proteicos. Esses últimos saíram dos canais de nicho e entraram nos supermercados. Já tem “atacarejo” com espaços dedicados a whey protein e creatina. O whey ocupa o espaço que já foi da dieta low carb nos anos 2000, com uma alta de 358% na demanda por suplementos de academia em três anos. Por outro lado, vemos uma queda nas cestas de alimentos processados, de indulgência e com alto teor de açúcar. A caneta emagrecedora acelera esses dois movimentos. Então os “snacks” estão em queda? Temos que tomar cuidado porque, com os lares menores, a busca por praticidade e conveniência é alta. Mas ela vem acompanhada por saudabilidade. Se o chocolate perde espaço, o snack proteico, como o whey líquido, explode. O senhor atribui parte importante dessas mudanças às canetas emagrecedoras? A gente estima que um quarto da queda do volume de vendas do varejo alimentar neste ano até maio, que foi de 1,9% na comparação com o mesmo período de 2025, se deva às canetas. Elas já começam a impactar o consumo na prática. Além dos dados do varejo, fizemos pesquisas amostrais para entender a dinâmica, e essa mudança de hábito fica clara. E a penetração delas já é grande: chega a 6%, considerando os produtos oficiais e os outros (importados e manipulados). Sendo que 8% dos brasileiros já usaram no passado. Entre as pessoas que não usam, 45% dizem que usariam se o preço caísse. Por isso, com a entrada de produtos oficiais mais baratos no mercado, a penetração vai subir para dois dígitos sólidos. O varejo deve ser ainda mais impactado... Mas é importante notar que, enquanto há redução de unidades consumidas, está havendo uma tendência de “premiumização”, sobretudo nas categorias mais impactadas. Por isso, nas cervejas, o volume cai 5,3% no ano até maio, mas fica quase estável em valor (alta de 0,2%). Já nos chocolates, o volume cai 4,4%, mas cresce 5,9% em valor. Qual o impacto sobre os refrigerantes? É uma das categorias que sente o impacto, mas o fenômeno do zero açúcar a está protegendo. A categoria como um todo registra estabilidade. Os refrigerantes zero crescem 18,4% nas vendas no ano até abril, na comparação com 2025, enquanto a versão tradicional encolhe 2,8%. Como percentual, as versões sem açúcar passaram de 27% para 31% do total em um ano. Com o avanço das canetas, a gente espera um avanço ainda maior do zero, que não demonstra nenhuma desaceleração. Isso se dá inclusive em outros segmentos. Os energéticos que mais crescem também são os zero. E a cerveja? A cerveja é difícil de analisar porque é muito afetada pelo clima — e tivemos dois anos mais frios — e pelo fator Copa. Mas os hábitos mais saudáveis têm impacto sobre o volume, com migração clara para cervejas mais premium e produtos “saudáveis”, com menos ou zero álcool e menos calorias. A cerveja sem álcool registra um aumento de 23% nas vendas neste ano. Ela virou socialmente aceita, e a tendência está se estabelecendo em categorias como vinhos e drinks. Já a cerveja de baixa caloria tem uma alta de 168% em volume neste ano. Há alguma tendência surpreendente na Copa? Fora da tradicional cesta de churrasco, aparece uma grande demanda por snacks convenientes, muito ligados à airfryer. Por isso, já tem gente chamando de “Copa da Airfryer”. O salgado congelado cresce 50% em dia de jogo, e a batata congelada, 40%. O engajamento do brasileiro estava relativamente baixo antes da Copa, com fluxo de loja menor que o esperado, embora o consumo per capita fosse maior. Mas depois o brasileiro entrou no torneio. Considerando os dois primeiros jogos, houve aumento de 9% no fluxo de loja em comparação com a Copa anterior. A gente esperava uma alta de 7%.