Busca on-line por ‘glass skin’, efeito prometido pelos produtos coreanos, salta 300% este ano. No Brasil, vendas cresceram 159% em 2025 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 'Skincare’: Produtos coreanos usam ingredientes que deixam pele luminosa — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 04/07/2026 - 17:58 Crescimento de 300% na busca pela "pele de vidro" impulsiona k-beauty no Brasil A busca pela "pele de vidro", efeito prometido por produtos coreanos, cresceu 300% este ano, impulsionando o mercado de k-beauty. No Brasil, as vendas aumentaram 159% em 2025. Celebridades como Selena Gomez popularizam esses produtos, que se destacam por ingredientes naturais e um acabamento luminoso. O mercado global de k-beauty alcançou US$ 15 bilhões, com expansão significativa no Brasil e adaptação pela indústria local. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Produtos coreanos consolidaram-se como itens fundamentais para celebridades como as cantoras Selena Gomez e Rosé, e vêm ganhando cada vez mais espaço na rotina de skincare de consumidoras brasileiras. São marcas que apostam em ingredientes naturais para supostamente proporcionar um acabamento luminoso — visual conhecido como glass skin, ou “pele de vidro”. Segundo levantamento do Google Trends, as buscas por glass skin saltaram 300% no primeiro semestre deste ano, frente ao mesmo período de 2025, enquanto as pesquisas por K-beauty, a “beleza coreana”, cresceram 350%. Dados da Euromonitor International mostram que o mercado global de K-beauty alcançou US$ 15 bilhões em 2025, com crescimento anual de 22%. No Brasil, houve avanço de 159% nas vendas em e-commerce e expansão de 56% nas importações de produtos coreanos de beleza e cuidados pessoais no ano, segundo dados do Comex Stat. A onda asiática remonta aos anos 1990, com a importação de marcas japonesas como a Shiseido. E por que a explosão agora? Mikaely Correa, analista sênior de pesquisa sobre beleza e cuidados pessoais na Euromonitor, explica que, na pandemia, as pessoas começaram a investir em skincare, e esse movimento perdurou. Neste ano, a Época Cosméticos começou a vender 15 novas marcas da Ásia, atingindo um total de 32. A empresa diz ser procurada quase semanalmente por interessadas em entrar no país. A diretora comercial, Gabriella Trigo, conta que a plataforma trabalha com produtos da Ásia há anos, mas houve um boom em 2026. As buscas on-line, diz, saltaram cerca de 120%: — O crescimento de vendas também é avassalador. A K-beauty não é mais um nicho, afirma Jimmy Lee, diretor da KS Cosméticos, importadora especializada em produtos coreanos. Há dois anos, esse movimento se concentrava entre os fãs de doramas e K-pop, mas agora até quem não é fã de novelas e música coreana busca os produtos de skincare do país. — Os doramas foram uma porta de entrada importante. Mas o que sustentou a categoria foi a experiência real de uso: fórmulas agradáveis, produtos fáceis de encaixar no dia a dia e uma proposta de cuidado contínuo — diz Lee. ‘Mexida’ na indústria local Gabriella diz não esperar impactos com o fim da chamada “taxa das blusinhas”, que poderia estimular compras diretas em plataformas como Shein e Shopee. Ela ressalta que, na Época, o consumidor tem mais segurança sobre o que está comprando. Lee, da KS, lembra que a operação local oferece curadoria e regularização. Ele afirma que, além dos preços, o consumidor hoje avalia fatores como rendimento, formulação e experiência de uso. — Vemos uma diminuição na frequência de compra de produtos de beleza e cuidado pessoal. A frequência de compra semanal passou de 53% para 49% entre 2024 e 2025. Tem uma queda de compra, mas isso acompanha uma estratégia de comprar melhor — diz Mikaelly, da Euromonitor. De olho no potencial desse mercado, a Sheglam, marca de maquiagem da Shein, anunciou recentemente a expansão para lojas físicas no Brasil, a partir deste mês. Segundo Melissa Pagliato, diretora de marketing da BIM Distribuidora, responsável pela operação da marca no país, a expectativa é atingir, no primeiro ano, 3 mil pontos de venda. No mundo, são cerca de 7 mil. As marcas asiáticas estão até influenciando a indústria nacional. A Quem Disse, Berenice? lançou o Mochi Blur, produto multifuncional de textura em mousse inspirado na J-beauty (beleza japonesa), enquanto a Avon apresentou a linha Avon Sweets, com referências da K-beauty e “K” nos nomes dos produtos. A procura foi tanta que a empresa teve de acelerar o abastecimento junto a fornecedores, diz Andrea Echeverri, líder global de marketing de Maquiagem, Cabelos e Skincare da empresa: — Temos uma projeção de vendas muito acima do que estávamos esperando. Muito, muito acima. Estamos correndo para tentar aumentar as compras. A fórmula dos produtos, diz Andrea, foi adaptada, com uma base aquosa para se adequar melhor à pele da brasileira, mais oleosa. — Mais do que reproduzir uma tendência, nosso papel é adaptá-la com relevância. Isso significa olhar para diferentes rotinas de uso, clima, expectativas de performance e o desejo por produtos multifuncionais que entreguem resultado — diz Gustavo Dieamant, diretor de Pesquisa & Desenvolvimento do Grupo Boticário, que controla a Quem Disse, Berenice?. Mas nem tudo é Coreia. Joyce Kitamura, CEO da The Joy Lab, diz que sua influência é o Japão: — O investimento em pesquisa e desenvolvimento das marcas japonesas é muito superior ao das coreanas. Vários ativos consagrados foram descobertos pelos japoneses.