Plataformas digitais atraem jovens que antes começavam vida laboral no varejo ou na indústria 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Motorista de aplicativo sem diploma ganha mais do que em vagas formais para ensino médio — Foto: Rebecca Maria / Agencia O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 04/07/2026 - 18:30 Economia de "bicos" atrai jovens brasileiros sem diploma para apps A ascensão da economia de "bicos" atrai jovens brasileiros sem diploma para plataformas digitais, oferecendo flexibilidade e rendimentos superiores aos empregos tradicionais. Conforme estudo da FGV Ibre, trabalhadores sem ensino superior ganham mais em aplicativos, com média de R$ 2.493, comparado a R$ 1.691 em trabalhos formais. No entanto, a vantagem diminui para graduados, que obtêm melhores salários em suas áreas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No pano de fundo da crise de mão de obra das empresas está uma transformação profunda nas relações de trabalho puxada pela ascensão da economia criativa e da chamada gig economy (ou economia de “bicos”, trabalhos temporários), que abriu novas formas de geração de renda por meio da internet, observa Mariana Dias, diretora de Carreira e Futuro do Trabalho da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). Marketing digital e edição de vídeos, por exemplo, passaram a disputar os jovens que antes começavam no varejo ou na indústria. — O maior “inimigo” dessas empresas hoje é a plataformização. Com um celular, a pessoa se sente dona do seu próprio tempo, não precisa ter chefe e pode ganhar mais do que trabalhando em escala 6x1 — ela diz. — Também não adianta ter piscina de bolinha ou ping-pong no ambiente de trabalho se salário e benefícios não são competitivos. As pessoas precisam pagar contas. Para um profissional sem ensino superior completo, trabalhar por meio de um aplicativo de transporte ou entrega pode ser mais rentável que assumir vagas formais sem qualificação. É o que mostra estudo de Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV Ibre, com base em dados da Pnad, do IBGE. Trabalhadores sem instrução ou com fundamental incompleto que atuam em apps ganham, em média, R$ 2.493, contra R$ 1.691 dos demais em posições sem diploma. A diferença se mantém entre quem tem fundamental completo ou médio incompleto (R$ 2.876 no aplicativo e R$ 1.919 com a mesma escolaridade nos demais setores) e entre quem concluiu o ensino médio ou tem superior incompleto (R$ 2.751 ante R$ 2.396). A vantagem só se inverte no topo da pirâmide educacional. Graduados nos apps têm média de R$ 4.263, e os que exercem suas profissões alcançam R$ 6.072. — Segmentos que absorviam mão de obra iniciante agora concorrem com apps que pagam mais. As pessoas querem flexibilidade. Preferem ganhar mais no app do que numa carga horária fixa elevada.