[RESUMO] A direção de fotografia no cinema é dominada por homens: só 7% dos 250 maiores filmes de 2025 em Hollywood tiveram mulheres nessa função. No Brasil, apenas 20% dos longas exibidos em 2024 contaram com a concepção visual assinada por elas. Barreiras à presença delas incluem sexismo, salários menores e progressão de carreira mais lenta.

Enquanto a norte-americana Autumn Durald Arkapaw, 46, discursava em Los Angeles em março deste ano como a primeira mulher a receber o Oscar de direção de fotografia, pelo filme "Pecadores", Lílis Soares chorava no Rio de Janeiro assistindo ao feito.

Para a diretora de fotografia brasileira, a vitória de uma mulher negra, assim como ela, foi a demonstração de que é possível se destacar na carreira, embora o cotidiano no set de filmagem ainda seja marcado por discriminação.

Em um mercado que carece de regulamentação e recursos, o sexismo —colocado em foco pelo movimento contra a misoginia MeToo, impulsionado pelas denúncias contra o produtor de Hollywood Harvey Weinstein— tem dificultado o acesso das mulheres a postos na indústria cinematográfica, dentro e fora do Brasil.

A direção de fotografia está entre eles. Em 2025, apenas 7% dos 250 filmes com maior bilheteria nos Estados Unidos tiveram mulheres nesse cargo, segundo monitoramento da Universidade de San Diego sobre a sub-representação feminina em Hollywood. Autumn foi a quarta mulher e a primeira negra indicada ao Oscar de melhor direção de fotografia. A categoria existe desde 1929.