Com demanda aquecida e temporada de férias, oferta cresce em comparação a igual mês de 2025 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 EC Rio de Janeiro (RJ) 21/08/2025 Aéreas em crise reduzem rotas e deixam cidades sem conexão aérea. Com a Azul em recuperação judicial, cidades brasileiras estão deixando de contar com conectividade aérea . Na foto, aviões da Azul e da Gol no Aeroporto Tom Jobim. — Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 16:47 Companhias aéreas ampliam voos em julho apesar do custo elevado de combustível Mesmo com a alta do combustível, as companhias aéreas brasileiras planejam aumentar a oferta de voos em julho, devido à demanda aquecida e à temporada de férias. A previsão da Anac é de um crescimento de 2,25% nos voos, com destaque para novas rotas internacionais. Apesar do aumento das tarifas, a alta demanda justifica os preços, e a renda média crescente dos brasileiros favorece o setor. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O preço do combustível de aviação no Brasil disparou desde o início do ano, as companhias aéreas ajustaram seus planos e enxugaram as frequências (número de voos semanais para cada rota), mas a temporada de férias de inverno virá com novos destinos e uma demanda por viagens que não para de crescer entre os brasileiros. Isso mesmo num cenário de famílias com orçamento apertado e mais endividadas. A previsão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) é de expansão de voos em julho frente ao mesmo período do ano passado. A taxa é modesta, de 2,25%. Mas vem depois de um período de forte atividade no turismo brasileiro. Em maio, foram 10,55 milhões de passageiros, em linhas nacionais e internacionais, o maior patamar da série histórica da agência para o mês. — A demanda por viagens aéreas segue aquecida, embora não com o mesmo vigor dos últimos anos e meses — destaca Alessandro Oliveira, professor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). — Mas continua crescendo, o que é excelente em se tratando de um ano de eleições, de aumento de guerras, de preços e instabilidade. É uma boa notícia. A Gol Linhas Aéreas terá 1.226 voos adicionais para a alta temporada, incluindo linhas para cinco novos destinos: Nova York, Ushuaia e Caracas, lá fora, e Araguaína e Lages, no Brasil. O vice-presidente comercial da companhia, Mateus Pongeluppi, sublinha que viajantes contumazes querem novidades porque estão cansados das mesmas opções. Tarifa 11,2% mais alta O executivo destaca que, no ano, a empresa vai reduzir em 2% a 3% a oferta internacional, frente a 2025. Mas credita esse movimento ao preparo dos hubs (centros de conexão de voos) da companhia e de toda a estrutura de voos domésticos para a nova fase de expansão em linhas para o exterior. Em julho, começa a voar do Rio para Nova York. Em setembro virá um voo para Lisboa. E isso pediu aumento de linhas para o Aeroporto do Galeão, conta o executivo. — A gente deve estar crescendo por volta de 8% ou 9% (em 2026). Bastante coisa para um ano como este que a gente está vivendo — ponderou Pongeluppi. No mês de férias, a Latam Airlines vai elevar a oferta de assentos em voos domésticos em 8%, em relação a julho de 2025, mesmo percentual previsto para agosto. Este ano, a empresa já iniciou operações para novas localidades, a exemplo de Uberaba e Juiz de Fora, em Minas Gerais, Campina Grande, na Paraíba, e Caldas Novas, em Goiás. Segue expandindo a malha internacional. Entre este mês e o próximo, começa a voar para Cidade do Cabo, Ushuaia e Punta Cana. Já a Azul Linhas Aéreas terá 1.200 voos extras entre 26 de junho e 2 de agosto, somando 169 mil assentos adicionais em voos nacionais e para o exterior. Entre os destaques estão novas linhas de Congonhas para Salvador e Ilhéus, mais opções para Argentina e Curaçao e uma reserva de capacidade para a Azul Viagens. As três aéreas começam a receber novos aviões mais econômicos, o que vai permitir ampliar a oferta de destinos e de receita, além de operar com custos mais baixos. Dados da Anac consultados pelo GLOBO mostram que o número de voos previstos para julho é maior em relação ao mesmo mês do ano passado. A alta é de 2,25%, com avanço de 8,3% nas linhas internacionais — segmento em que o número de voos é menor que no mercado nacional, enquanto a concorrência é bem maior. A consultora de Turismo Jeanine Pires, ex-presidente da Embratur, lembra que a alta temporada de férias, quando a demanda é maior, facilita a absorção de tarifas maiores. Em maio, dado mais recente divulgado, a tarifa doméstica média apurada pela Anac foi de R$ 632,53, 11,2% acima da registrada 12 meses antes. — Na alta temporada, as tarifas mais altas acabam se “justificando” pela alta demanda, que acaba absorvendo o custo (do bilhete) — pondera. — E a abertura do Estreito de Ormuz é um indicativo de que as coisas não vão piorar em termos do custo do combustível de aviação. Outro ponto é que a renda média do Brasil subiu, permitindo que mais pessoas viagem. Roteiro adaptado Rayane Cevidanes, estudante carioca de 31 anos, vai viajar com o irmão para os EUA nas férias de julho. Com o aumento das passagens, ajustaram o roteiro para caber no bolso. — Foto: Arquivo pessoal O impacto da guerra no setor vem perdendo força. Levantamento feito pela Anac a pedido do GLOBO mostra que, em 2 de junho, o que se esperava era uma queda de 4,4% nos voos em julho na comparação com o fim de fevereiro, período que antecede o conflito. No dia 19, a projeção na mesma base já havia sido revista para queda de 2,4%. Em tempos de crise, para não abrir mão do roteiro de férias, o brasileiro se adapta, diz Ana Carolina Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Agência de Viagens (Abav): — O viajante passa a enxergar o planejamento como principal aliado, adotando estratégias para não deixar de viajar, como maior antecedência, flexibilidade de formato e rotas. Busca roteiros mais curtos para adequar o custo da viagem, muitas vezes trocando o internacional pelo nacional, ou o voo longo por outras modalidades como viagens rodoviárias. Roberto Rizo-Patrón, diretor Comercial de Produtos em Destino da Decolar, confirma a demanda: — Os destinos mais buscados para julho são Gramado, no Brasil, e Santiago do Chile, pela temporada de neve — lista ele.— E, de março para cá, a procura por hospedagem subiu 40%, o que indica mais viagens de carro. Na BeFly Travel, o maior aumento, de 30% ante a julho de 2025, é para EUA e México, por causa da Copa do Mundo. Depois vêm os destinos de neve na América do Sul, como Bariloche, com alta de 10% nas vendas, mesmo com a elevação de preço das passagens. — As pessoas não estão optando por destinos com menores custos, mas por compras antecipadas e planejadas. É um comportamento que se intensificou com o aumento das tarifas aéreas — diz Rui Pimenta, gerente de vendas da empresa. — O viajante está fazendo mais orçamentos, escolhendo mais as experiências e selecionando opções de melhor custo-benefício. Aumento do combustível É o caso de Rayane Cevidanes, de 31 anos, que não abriu mão da viagem de férias, mas encolheu o roteiro. Em agosto, a médica e o irmão dela, de 25 anos, embarcam para Nova York em uma viagem que já soma R$ 30 mil em despesas. O plano original era mais ambicioso: 14 dias nos EUA, entre Nova York e Orlando. Os custos, porém, mudaram os planos. A viagem foi reduzida a dez dias, com cortes em passeios e sem passar pela Disney. — O dinheiro não daria para fazer tudo o que queríamos — resume ela, citando custos maiores que o previsto com passaporte e visto americano. Rayane e o irmão acompanharam os preços por três meses. Acostumada a viajar a destinos nacionais como Paraíba e Maceió, não esperavam preços tão altos, admite. O preço do combustível subiu 46% desde o fim de fevereiro, sendo que, entre março e maio, chegou a dobrar de valor, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). “Em razão dessa alta, as empresas aéreas estão redesenhando suas malhas e reduzindo a oferta de voos projetados”, diz a entidade. Na quarta-feira, a Petrobras reduziu o combustível em 14,5%. Nesse período, o peso do querosene de aviação no custo operacional das aéreas brasileiras passou de 32% para 38%, após ter batido em 46%, segundo a Abear. (Colaborou Julia Fernandes, estagiária sob supervisão de Alexandre Rodrigues)
De Ushuaia a Lisboa: mesmo com alta do combustível, companhias aéreas ampliarão voos em julho
Com demanda aquecida e temporada de férias, oferta cresce em comparação a igual mês de 2025






