Tenente-coronel da reserva da Polícia Militar do Rio Grande do Sul, Aroldo Medina participou de atos antidemocráticos após as eleições de 2022 e enalteceu 'povo ordeiro e pacífico' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O tenente-coronel da PM Aroldo Medina, candidato a vice-presidente na chapa de Renan Santos — Foto: Reprodução/Youtube RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 15:41 Vice de Renan Santos, Aroldo Medina Critica Bolsonaro e Propõe Extinção do Ministério da Defesa O tenente-coronel da reserva Aroldo Medina, anunciado como vice na chapa de Renan Santos pelo partido Missão, participou de atos antidemocráticos pós-eleições de 2022, elogiando um acampamento golpista em Brasília. Medina, que já foi apoiador de Bolsonaro, agora critica o ex-presidente e apoia Renan, propondo reformas como a extinção do Ministério da Defesa. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O militar da reserva Aroldo Medina, apresentado como candidato a vice-presidente na chapa de Renan Santos pelo partido Missão, participou de atos antidemocráticos após as eleições de 2022 e visitou o acampamento golpista montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, de onde partiram os manifestantes dos ataques de 8 de Janeiro. Vídeos gravados em dezembro daquele ano, após a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, mostram o tenente-coronel da Polícia Militar do Rio Grande do Sul enaltecendo os "patriotas" e registrando pedidos de intervenção das Forças Armadas, direcionados inclusive ao general Marco Antônio Freire Gomes, antigo comandante do Exército. — Este povo é ordeiro e pacífico. Pessoas de todo o Brasil, famílias, adultos, crianças e pets, isso reflete muito a índole e o caráter desse povo. O povo brasileiro está muito bem representado nesse acampamento. Aqui não há brigas. Vim aqui a trabalho e aproveitei para visitar o acampamento dos patriotas — alega o militar em um "documentário" produzido por uma simpatizante de Bolsonaro. Em um blog pessoal e em suas redes sociais, Medina apresenta registros de pessoas que se reuniram em frente à sede do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, tratando como legítimos os pedidos de revisão do processo eleitoral e de acionamento do "poder moderador" da caserna. Em algumas publicações, aborda casos de vandalismo como obra de "infiltrados" de esquerda, replicando um discurso frequente à época, e diz ter acompanhado os protestos violentos contra a prisão do cacique Tsereré na capital brasileira antes de voltar para casa. Post de Aroldo Medina, candidato a vice na chapa de Renan Santos — Foto: Reprodução/Twitter Após os ataques de 8 de Janeiro, o vice de Renan postou uma nota em que condena os atos, mas sem entrar em detalhes sobre quem teriam sido os autores. "O que se viu em Brasília (DF), ontem, é uma vergonha nacional. Os ataques insanos perpetrados por vândalos contra prédios públicos, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal devem ser repudiados, veementemente. A violência, a guerra, a intolerância política, o radicalismo são os piores caminhos a serem escolhidos para solução dos problemas de qualquer nação civilizada". 'Paciente zero' Nesta quinta-feira (3), Renan Santos participou de um evento ao lado do Coronel Medina, em São Paulo, em que o apresentou como um exemplo de eleitor que abandonou a preferência por Jair Bolsonaro. O ativista do MBL tenta desbancar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, para chegar ao segundo turno contra Lula (PT), mas ainda aparece distante nas pesquisas, empatado tecnicamente com os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). — O meu maior problema é a validação, para falar em termos meramente eleitorais, por parte das pessoas mais velhas. Dado que eu sou um candidato mais jovem e que desafia, em grande medida, os dois ídolos das pessoas mais velhas: Lula e Bolsonaro. Uma figura como o Aroldo é muito importante para mostrar que as pessoas mais velhas não precisam ficar presas nessa dicotomia. Renan apresentou o vice como um "paciente zero" da campanha: — O Aroldo já esteve no PL, no partido de Bolsonaro, e fez de maneira autônoma sua transição até o nosso grupo político. Acho que isso serve como uma espécie de exemplo, de paciente zero. Ele é o primeiro dos homens da geração dele, uma figura do universo militar, do sul do Brasil, com diferença de idade em relação a mim, e fez uma escolha consciente. Aroldo Medina é apresentado por Renan Santos e Amanda Vettorazzo, em São Paulo — Foto: Divulgação/Missão Aroldo concorreu a vereador de Porto Alegre, em 2024, ainda pelo PL, mas alega que se decepcionou antes com Bolsonaro, por conta de "vários erros estratégicos cometidos, principalmente no que se refere à saúde pública". Ele afirmou ainda que teria sido "boicotado" pelo partido na eleição passada, "talvez por ser um homem independente". A filiação ao Missão ocorreu somente em abril deste ano, por influência da filha, de 29 anos. Já o convite para a chapa ocorreu esta semana em Caxias do Sul (RS), quando ofereceu uma medalha ao candidato. — Oro todos os dias para o povo brasileiro olhar o Renan com respeito e ungi-lo na Presidência da República, porque eu sinto no meu coração. O Renan não é a terceira via. Para mim, ele é o único caminho a ser seguido pelo histórico do governo atual e o governo que eventualmente poderia ser exercido por Flávio Bolsonaro — declarou o militar, que chorou na entrevista. Ao final do encontro, narrou uma proposta levada por ele ao pré-candidato do Missão: — Propus ao presidente a extinção do Ministério da Defesa. Eu disse para o Renan: dê o status de ministro para os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. Para combater o crime organizado, a interlocução do próximo presidente com os comandantes tem que ser direta.