A instabilidade virou regra no Peru durante a última década. A Casa de Pizarro abrigou 9 presidentes, 4 deles destituídos. Dez partidos conheceram o Congresso de 130 cadeiras, e apenas 3 foram eleitos mais de uma vez ao longo desse período. As ruas viram ao menos seis ciclos de protesto.

Mas uma coisa era certa: Keiko Fujimori sempre chegaria ao segundo turno das eleições presidenciais —e perderia. Até este ano.

A populista de direita foi proclamada presidente eleita nesta sexta-feira (3) quase um mês após derrotar o esquerdista Roberto Sánchez por uma margem de quase 50 mil votos, de acordo com o Onpe (Escritório Nacional de Processos Eleitorais). Foram 49,865% dos votos em Sánchez ante 50,135% em Keiko, que tentava alcançar o cargo pela quarta vez consecutiva.

O resultado foi quase uma revanche de 2021, quando a política concorreu com o padrinho do adversário, Pedro Castillo. Assim como naquele ano, o pós-pleito foi marcado pela judicialização da apuração. Desta vez, em vez de Keiko, foi o candidato de esquerda que tentou anular milhares de votos favoráveis a adversária.

A divisão praticamente pela metade prenuncia um mandato difícil para Keiko, que enfrenta altas taxas de impopularidade —o placar virou a favor da presidente eleita quatro dias após as eleições, quando eram contabilizados os votos do exterior, enquanto o mundo rural do Peru era a fortaleza de Sánchez.