Por outro lado, brasileiros reconhecem a importância da visibilidade e da proteção contra a discriminação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Parada LGBT em Porto Alegre — Foto: Chris Boldrini RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 14:24 Apoio ao Casamento Igualitário Cai, Mas Combate à Discriminação Cresce no Brasil O apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo caiu 11 pontos percentuais no Brasil em cinco anos, de 55% em 2021 para 44% em 2026, segundo pesquisa da Ipsos. Apesar disso, 58% dos brasileiros apoiam leis contra a discriminação LGBTQIAPN+, acima da média global de 52%. O reconhecimento da discriminação contra esse grupo é de 75% no Brasil, frente a 65% globalmente. A queda no apoio ocorre em um contexto de retrocesso mundial em direitos civis. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um relatório realizado pela Ipsos em junho deste ano com 26 países revelou que o apoio ao casamento entre pessoas do mesmo gênero caiu 11 pontos percentuais no Brasil em 5 anos, passando de 55% em 2021 para 44% em 2026. Com este cenário, o país fica distante da média global de aprovação, que é de 53%. Foram entrevistados 19.019 adultos, entre 24 de abril e 8 de maio deste ano. Dados compilados desde 2021 pela Ipsos apontam que o histórico de aprovação ao casamento de pessoas do mesmo sexo caiu a partir do ano seguinte. Enquanto em 2021 55% da população aprovava a união, em 2023 a taxa caiu para 51% e se manteve em 2024. No ano passado o percentual foi de 44%. O Ipsos não fez o levantamento em 2022. Apesar da queda quanto ao casamento, a proteção legal contra a discriminação continua como um ponto de forte concordância. No Brasil, 58% da população apoia leis que proíbam a discriminação contra pessoas LGBTQIAPN+ no trabalho, moradia e acesso aos serviços, índice acima da média global de 52%. Quando observados os valores de reconhecimento da discriminação contra estas pessoas, o Brasil se destaca. Enquanto a média global daqueles que reconhecem a discriminação contra o grupo é de 65%, o percentual de brasileiros aparece com 75%. 'Retrocesso mundial' Em entrevista ao GLOBO, a mestranda de Relações Internacionais pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Maynara do Rio Sales, apontou que o debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo ganhou força no Brasil com os desdobramentos da abertura política no pós-ditadura militar. A especialista em dados e gênero apontou os efeitos do atraso no reconhecimento e o cenário global sobre este tipo de pauta: — Devido à ausência de reconhecimento jurídico do casamento homoafetivo no Brasil por décadas, muitas pessoas não tiveram acesso à direitos básicos, como a garantia de herança. Em 2011, o STF garantiu direitos civis também em casamentos homoafetivos, mas é importante dizer que isso nunca foi firmado efetivamente no código civil — explicou a pesquisadora: — Todo esse debate voltou em um momento de retrocesso mundial em relação a direitos civis, o efeito chamado de 'Backlash', em que movimentos de extrema-direita atacam massivamente os direitos conquistados pelas minorias. Desde 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece a união entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. Mesmo com a regulamentação da prática pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil não possui ainda uma lei específica sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em 2023, um Projeto de Lei que buscava proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo chegou a ser aprovado na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados. O estudo Ipsos "LGBT+ Pride Report 2026" foi realizado em 26 países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Hungria, Irlanda, Itália, Japão, México, Países Baixos, Peru, Polônia, Singapura, Suécia, Tailândia e Turquia. No total, foram entrevistados 19.019 adultos, entre 24 de abril e 8 de maio de 2026. No Brasil, foram entrevistados 1.000 adultos. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos percentuais.