No Rio Grande do Norte, Lula defendeu o endurecimento das penas para feminicídio Lula encerra nesta sexta maratona de anúncios com evento no Planalto — Foto: Ricardo Stuckert/PR A poucos dias do início das restrições impostas pela legislação eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou o lançamento de programas federais e a entrega de obras, em uma corrida contra o tempo. Pré-candidato à reeleição pelo PT, Lula concentrou a agenda dos últimos dias no Nordeste - região onde perdeu popularidade nos últimos meses - e encerra nesta sexta-feira (3) a maratona de anúncios com uma cerimônia no Palácio do Planalto, voltada a medidas nas áreas de saúde, educação e habitação. A partir de sábado (4), passam a vigorar as restrições previstas na legislação eleitoral para o período que antecede as eleições. Com isso, autoridades que disputarão o pleito deste ano ficam impedidas de participar de inaugurações de obras públicas e de promover publicidade institucional de atos, programas e ações do governo. O primeiro turno das eleições de 2026 será realizado em 4 de outubro, e o segundo, no dia 25. Como parte das vedações entra em vigor três meses antes da votação, o dia 4 de julho tornou-se o principal marco do calendário administrativo e político. Lula, portanto, tem até esta sexta para concluir a agenda de inaugurações e anúncios planejada pelo governo. Por isso, o presidente vai comandar, do Planalto, entregas nas áreas da saúde, educação e infraestrutura. O evento terá interação simultânea com outras 12 cidades de sete Estados. A última leva de lançamentos abarcou o Desenrola Adimplentes, programa de renegociação de dívidas voltado a trabalhadores informais “bons pagadores”, o anúncio de uma linha de crédito para estudantes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) com parcelas pagas em dia e a regulamentação do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia em operações de crédito consignado a trabalhadores celetistas. As medidas integram a estratégia do governo de reduzir a inadimplência das famílias e ampliar o acesso ao crédito barato a públicos considerados estratégicos para a campanha de reeleição do presidente, entre eles o eleitorado feminino e a classe média. Na terça-feira (30), Lula fez um bate-volta a Assunção, capital do Paraguai, para participar da Cúpula do Mercosul. Em mais um movimento para carimbar a digital do governo às entregas, retornou a Brasília ainda à tarde para participar do lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27, que prevê R$ 85,2 bilhões em financiamentos. Foco no Nordeste A ofensiva de entregas fora de Brasília concentrou-se em obras estratégicas nas áreas de saúde, educação e infraestrutura logística e hídrica no Nordeste, principal reduto eleitoral do presidente e que, nas últimas pesquisas, vinha apresentando maior desaprovação ao chefe do Executivo. Essa tendência acendeu um alerta entre integrantes do PT, que passaram a se esforçar para reverter o cenário. Entre os destaques estão o anúncio de um aporte de R$ 600 milhões para acelerar as obras da ferrovia Transnordestina e a inauguração do Túnel Major Sales, no Rio Grande do Norte, peça-chave do projeto de transposição do Rio São Francisco. A agenda também incluiu investimentos de R$ 500 milhões para a saúde na Bahia, a inauguração do Hospital Regional Litoral Norte, em Alagoinhas (BA), e o anúncio da construção da ponte Salvador-Ilha de Itaparica. Na quinta-feira (2), a inauguração do Túnel Major Sales deu uma mostra da pressa do presidente diante do calendário eleitoral. A obra vai permitir que as águas da transposição do Rio São Francisco cheguem ao oeste potiguar, conectando a Paraíba ao Rio Grande do Norte. A água, no entanto, não chegou a tempo da inauguração. Isso porque, segundo Lula, “houve erro de cálculo” da empresa responsável pela obra. “Eu tinha acertado que viria a Luís Gomes porque eu queria, não só ver a água entrar no túnel, como estar aqui para receber a água. E houve um erro de cálculo e esse erro de cálculo fez com que eu chegasse aqui e a água ainda não chegou”, disse. Segundo o presidente, o responsável pela obra informou que a água deve chegar ao túnel somente na madrugada de sexta. No mesmo evento, Lula defendeu o endurecimento das penas para feminicídio. O aceno às mulheres acontece em meio ao desgaste do seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), com o eleitorado feminino, após a crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em sua fala, o presidente pediu o aumento das penas para esse tipo de crime, mas não detalhou a proposta. A legislação atual já prevê 40 anos de reclusão, a pena máxima do Código Penal. Mais tarde, durante cerimônia em Quixeramobim (CE), para entregas ligadas à Transnordestina, Lula fez um gesto de apoio ao governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que buscará a reeleição. Afirmou que “pede a Deus” para que ambos estejam “juntos em janeiro do ano que vem”. “Vai ser muito bom para o Ceará e muito bom para mim”, disse o presidente, após elogiar o perfil do aliado. Apesar do gesto, o cenário eleitoral é desafiador para Elmano. Pesquisa Genial/Quaest divulgada no fim de abril mostra que o ex-senador Ciro Gomes (PSDB) venceria Elmano em um eventual segundo turno por 46% a 35%. Em outro cenário, Ciro seria derrotado pelo ex-governador e ex-ministro da Educação, senador Camilo Santana (PT), por 44% a 39%. Camilo, porém, tem afirmado que não pretende disputar o governo estadual e que seu objetivo é atuar na campanha de Lula e de Elmano. (Colaborou Murillo Camarotto)