'O filé mignon do venture capital nos Estados Unidos está com os gestores emergentes', diz Constantini Foto: Werther Santana/Estadão - 15/06/2026No momento em que a inteligência artificial (IA) redesenha o mapa da tecnologia global, a oportunidade mais atraente para os investimentos de venture capital (capital de risco) nos Estados Unidos não está nos nomes consagrados, e sim onde o capital institucional ainda chega com dificuldade. É essa a leitura da executiva da área de investimentos Laura Constantini, que atuou por 16 anos na Astella, uma das principais gestoras de venture capital do Brasil.PUBLICIDADE“O filé mignon do venture capital nos Estados Unidos está com os gestores emergentes”, afirma Constantini. A executiva usa o termo não para descrever iniciantes, mas para um perfil específico: profissionais com trajetória sólida em grandes casas ou em corporações de tecnologia que decidem montar suas próprias gestoras, com teses próprias e fundos menores. São esses gestores, segundo ela, que concentram os retornos mais expressivos do setor no mercado americano.É para capturar esse espaço que Constantini está estruturando no Brasil o Platypus I, seu primeiro fundo independente, voltado a investir em gestoras americanas focadas nos estágios iniciais (early stage, no termo do setor) de startups. Entre as gestoras já mapeadas está a Mighty Capital, fundada por duas executivas com passagem pelo Facebook, com acesso a iniciativas de outros egressos de empresas de tecnologia, que apostam em soluções tecnológicas para grandes corporações.DistorçãoA lógica do fundo de Laura parte de uma distorção que a gestora identificou ao examinar as carteiras de family offices e gestoras de patrimônio brasileiras. Investidores locais alocam em venture capital no Brasil pela proximidade com o ambiente, e nos Estados Unidos tendem a entrar em fundos de nomes conhecidos. As rodadas de investimento em startups iniciantes ficam fora da cobertura.“As grandes plataformas têm tíquetes elevados para investir, e preferem os nomes com marca”, diz. “Mas quem investe nos estágios iniciais, nos Estados Unidos, são gestores menores. O acesso a eles exige network e conhecimento do ecossistema.”PublicidadePesquisas da Kauffman Foundation mostram que os chamados gestores emergentes recebem entre 15% e 20% do capital alocado em venture capital nos EUA, mas respondem por 40% a 70% dos retornos. No Platypus, Laura mira gestoras com patrimônio sob gestão entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões e que estão em seu segundo ou terceiro fundo.RevoluçãoO pano de fundo mais amplo do setor de tecnologia reforça a estratégia, avalia a investidora. Para ela, a revolução da inteligência artificial representa uma mudança estrutural na forma como a informação é processada - o que aconteceu pela última vez na criação dos computadores pessoais (PCs). Ela enxerga a possibilidade do surgimento, a partir do ChatGPT e do Claude, de startups que vão modificar setores e indústrias.“Assim como a computação em nuvem gerou uma leva enorme de empresas de software como serviço, a gente vai ver em cima do AI uma onda incrível de empresas nativas da IA”, afirma.Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 30/06/2026, às 08:30A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.PublicidadePara saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.
Gestora brasileira cria fundo para investir em startups de IA nos EUA
Laura Constantini lança o Platypus I, com foco em aportes em empresas em estágios iniciais








