Um filme obrigatório. Joga holofote sobre Jair e Flávio nos anos de Covid. Contra fatos, não há argumentos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Valas abertas por retroescavadeiras em Manaus para sepultar vítimas da gestão criminosa da Covid — Foto: Reprodução O título tem duplo sentido. É um filme real do gênero “terror”. Por reviver o luto de 700 mil mortes, a falta de vacina e oxigênio, a fila de caixões, o pânico. Esse documentário, que estreia hoje nos cinemas, é também um terror para as pretensões de Flávio Bolsonaro. Contra fatos, não há argumentos. A memória é curta. Precisamos dessa cutucada na consciência nacional, agora em 2026. “Anatomia do caos” destrói a família Bolsonaro, sem ser parcial ou injusto. É um filme obrigatório. Apresenta cruamente os fatos médicos e os discursos presidenciais durante a pandemia da Covid. Falou-se tanto de “Dark horse”. Mas a produção patrocinada por Daniel Vorcaro não passa disso mesmo, uma ficção produzida nos EUA, com atores estrangeiros e dinheiro ilegítimo. Já “Anatomia do caos” é um documentário. Reproduz o que aconteceu no Brasil em anos de terror sanitário e gestão criminosa. Quem espera um filme panfletário vai se decepcionar. Não há efeitos especiais nem fake news. Os personagens são reais. O documentário chega a ser cansativo, por focar numa longa CPI que apontou os culpados do morticínio que poderia ter sido evitado. CPIs são chatas. A CPI da Covid durou seis meses, em 2021. Essa, como tantas, não resultou em nenhuma prisão. Mas recomendou 80 indiciamentos. De médicos, parlamentares, ministros e presidente. Jair foi denunciado por crime contra a humanidade, charlatanismo, prevaricação, entre outros. Dirigido por Dandara Ferreira, o filme acompanha bastidores dos trabalhos dos parlamentares, os depoimentos, os choros de quem perdeu pais, de quem perdeu filhos. Mostra a aposta corrupta na ivermectina e hidroxicloroquina. E joga um holofote oportuno, em ano de eleição, sobre as galhofas de Jair Bolsonaro contra uma população indefesa. O filme é bem mais revoltante do que a misoginia grotesca do blogueiro foragido Paulo Figueiredo e de seu amigo do peito Flávio Bolsonaro, que continua a alfinetar Michelle. Essa treta pública entre madrasta e enteado. O voto feminino menosprezado. As solteiras demonizadas. As fofocas sobre adultério. As invocações da Bíblia. “Os pentelhos nas calcinhas” citados por Figueiredo, neto do ditador. Coitada da extrema direita. Desarvorada, arrancando os cabelos, atirando a esmo. Isso tudo é muitíssimo vulgar. Nem Damares acredita mais no slogan “Deus, pátria e família”. Mas aí abandono o folclore e assisto a “Anatomia do caos”. Sinto, de novo, a mesma repulsa dos anos da pandemia. O terror do retorno, na pele do filho. Escrevi, em abril de 2020, a coluna “Bolsonaro não é louco”. A loucura poderia absolvê-lo. A psicopatia, não. No documentário, não foram as falas cínicas de Bolsonaro que me amedrontaram. Nem rever o então presidente fingindo falta de ar ou tirando máscara de criança. Vocês lembram, não? “Gripezinha”. “Chega de frescura e mimimi”. “E daí? Não sou coveiro”. “E se você virar jacaré depois da vacina? E se nascer barba na mulher? Ou algum homem começar a falar fino?” “Isso é para os fracos, estou com covid, hahaha”. “Um país de maricas”. Não, não foi o Jair que me aterrorizou no filme, por ser carta fora do baralho. Foi seu filho senador, hoje candidato a presidente da República. Na época, Flávio tirou a máscara em avião cheio, e estava contaminado com o vírus da Covid. “Flávio, como seu pai recebeu o relatório final da CPI?” “Conhece aquela gargalhada dele? Hahaha”, riu o senador, um riso indecente e falso. Não é só imitação. A gargalhada do Flávio é igual. Assim ele reagiu, indagado sobre o financiamento de “Dark horse”. O deboche é igualzinho. Caiu a máscara. Nunca houve um pedido de desculpas. O Brasil jamais esquecerá.
'Anatomia do Caos', o terror bolsonarista
Um filme obrigatório. Joga holofote sobre Jair e Flávio nos anos de Covid. Contra fatos, não há argumentos
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