Oswadeliz del Carmen Nuñez Ramirez, 58, falou com seu filho por telefone pela última vez há uma semana por breves quatro minutos. Foi quando descobriu que ele estava na Venezuela após ser deportado pelos Estados Unidos.

Meia hora depois, dois terremotos gêmeos atingiram o país. E o filho da advogada venezuelana natural de El Tigre, em Anzoátegui, estava em um dos prédios que desabaram no estado de La Guaira. Junto a ele, outros 145 venezuelanos, entre adultos e crianças, que vieram no mesmo voo.

Eles haviam sido levados pelo Estado para o local, que usualmente acolhe usuários de drogas e pessoas em situação de rua e foi transformado em base para receber os imigrantes retornados. Oswadeliz começou então um calvário em busca "do seu menino", Daniel Alejandro, 28.

Ela conversou com a reportagem sentada no chão de um apartamento sem mobília que lhe foi emprestado em Caracas, para onde viajou para buscar o filho. A seu lado, as cinzas de Daniel em uma pequena caixa de madeira.

Oswadeliz afirma ter recebido informações desencontradas do Estado, não ter recebido apoio e ter lutado, praticamente sozinha, para encontrar o corpo de Daniel. A seguir, ela registra a história de seu primogênito.