Planta teve obras paralisadas na década passada, como decorrência da operação Lava Jato; presidente Lula havia demandado que a Petrobras buscasse retomar atuação na área Descarregamento de fertilizantes no porto de Paranaguá (PR) — Foto: Claudio Neves / Portos do Paraná A Nova Engevix, do grupo Nova Participações, em parceria com a chinesa Powerchina, venceu três dos 11 lotes licitados pela Petrobras para a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS), em contratos que somam investimento de R$ 1,8 bilhão, disse o acionista da companhia, José Antunes Sobrinho, à Reuters. Confira os resultados e indicadores da Petrobras e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 Os lotes conquistados pelo consórcio liderado pela Nova Engevix, com 60% de participação, incluem projeto executivo, construção e comissionamento do sistema de manuseio de ureia granulada, dos sistemas de geração de energia e vapor, da subestação principal e das unidades de ureia fundida e granulação. A planta de fertilizantes havia tido suas obras paralisadas na década passada, como decorrência da operação Lava Jato, que investigou o envolvimento de empresas brasileiras e internacionais, políticos e executivos em esquemas de corrupção em contratos com a Petrobras. Sobrinho afirmou que o projeto de retomada da UFN-III é “icônico” e “absolutamente necessário” para o país, uma potência global do agronegócio, que tem dependência elevada de fertilizantes importados. “O maior resultado comercial da nossa carteira de exportação vem do agronegócio. Então, se você não tem o insumo básico, que é fertilizante — 80% é importado —, isso gera um risco muito grande”, disse Sobrinho. Segundo Sobrinho, os contratos devem gerar 1.800 empregos diretos no canteiro de obras em Três Lagoas, enquanto a engenharia será feita a partir de São Paulo. Ele afirmou que a maior parte da mão de obra especializada terá de vir de outras regiões do país, dada a baixa disponibilidade local para um projeto desse porte. Para o grupo, o contrato representa um avanço na recomposição da carteira de obras. Antunes disse que a divisão de construção busca atingir faturamento de cerca de R$ 2 bilhões, contando ainda com outros contratos, entre 2028 e 2029, ante cerca de R$ 400 milhões em 2025. A Nova Engevix e empresas do grupo também foram afetadas pela crise que atingiu grandes companhias de engenharia após a operação Lava Jato. Segundo Sobrinho, a empresa vem se recuperando gradualmente nos últimos anos, com atuação também em aeroportos, energia e no estaleiro Ecovix, em Rio Grande (RS). O estaleiro tem atualmente uma carteira de 11 embarcações contratadas junto à Transpetro, subsidiária de transporte e logística da Petrobras. Para a retomada da construção da UFN-III, a Petrobras assinou um total de R$ 5 bilhões em contratos com diversas empresas, e o começo dos trabalhos está previsto para ocorrer ainda neste mês. As assinaturas ocorreram em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia demandado que a Petrobras buscasse retomar sua atuação na área de fertilizantes. As obras devem gerar cerca de 8 mil postos de trabalho diretos e indiretos, com o início das operações previsto para 2029, de acordo com a petroleira. A capacidade nominal da UFN-III está projetada para 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia, segundo dados da Petrobras. A expectativa é que a planta atenda a cerca de 15% da demanda de ureia nacional.
Nova Engevix conquista contratos de R$ 1,8 bi para retomar obras em unidade de fertilizantes da Petrobras
Planta teve obras paralisadas na década passada, como decorrência da operação Lava Jato; presidente Lula havia demandado que a Petrobras buscasse retomar atuação na área







