PUBLICIDADE Presidente Magda Chambriard diz que estatal já estuda dobrar capacidade de produção no país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), da Petrobras, em Três Lagoas (MS) — Foto: Mauricio Hallberg Teixeira/Petrobras RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 17:08 Petrobras Retoma Obras de Unidade de Fertilizantes em MS para Reduzir Importações A Petrobras assinou contratos para retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Três Lagoas, MS, interrompidas desde 2015. Com 85% concluídas, as obras visam reduzir a dependência externa de fertilizantes do Brasil, que importa até 90% do consumo. A estatal planeja dobrar a capacidade de produção e utilizar a infraestrutura existente para otimizar custos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Petrobras já assinou a maioria dos onze contratos fechados para retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, a chamada "UFN 3", em Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, marcando mais uma etapa da volta da estatal ao mercado de fertilizantes. Além de concluir a fábrica, a companhia já estuda a possibilidade de dobrar a capacidade de produção do insumo no país. A UFN-III teve as obras interrompidas após os desdobramentos da Operação Lava Jato e estava oficialmente "hibernada" desde 2015. O empreendimento está com cerca de 85% das obras concluídas. A retomada prevê um investimento de US$ 1 bilhão (quase R$ 5 bilhões) para conclusão da unidade. Dos onze contratos previstos, a maior parte já foi assinada, e os demais devem ser formalizados nas próximas semanas. Após essa etapa, terá início o período de mobilização das empresas contratadas e, gradualmente, das equipes que atuarão na obra. Em apresentação a jornalistas, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a companhia já estuda duplicar sua capacidade de produção de fertilizantes. — Quando tudo estiver pronto, vamos entregar 35% da demanda de fertilizantes nitrogenados do Brasil. É pouco? Há dois anos, (esse percentual) era zero. Estamos fazendo estudos e considerando a hipótese de duplicar todas essas nossas fábricas, seja a do Sul, sejam as "Fafens" do Nordeste ou a unidade do Centro-Oeste. Estamos com muita vontade de fazer isso. A presidente da Petrobras acrescentou que, em vez de construir fábricas do zero, a estatal pensa em expandir as plantas existentes para aproveitar a logística já estabelecida, além de compartilhar custos e reduzir a burocracia. Segundo Magda, ampliar a produção de fertilizantes também faz sentido para a estratégia da Petrobras de agregar valor ao gás natural produzido pela companhia, já que o insumo é a principal matéria-prima utilizada na fabricação de amônia e ureia. O investimento em fertilizantes ajuda a reduzir a forte dependência externa do Brasil nesse mercado. O Brasil importa cerca de 80% a 90% dos fertilizantes que consome. Algumas matérias-primas como a ureia chega a ter um elevado grau de dependência externa de países como China e Rússia. Em geral, desde o início da guerra no Irã, os preços dos fertilizantes já subiram cerca de 20%, segundo estimativas. Retorno ao mercado de fertilizantes A assinatura dos contratos marca a volta da estatal ao mercado de fertilizantes, num movimento que tem ganhado força desde o início do governo Lula 3. Durante o governo Jair Bolsonaro, a estratégia era vender os ativos do segmento. A Petrobras já retomou as operações da Ansa, no Sul, e das Fafens na Bahia e em Sergipe, que estavam arrendadas para o Grupo Unigel. Segundo Filipe Jorge, gerente geral da área de fertilizantes da companhia, a decisão de dobrar a capacidade das fábricas ainda está sob análise. Ele explicou que a definição sobre a capacidade e o porte dessas ampliações vai depender das projeções de mercado para cada unidade. — É algo que está em análise. Estamos realizando um trabalho técnico e consciente para entender a potencialidade regional de cada um dos ativos neste nosso retorno ao mercado. A capacidade nominal da UFN III está projetada em cerca de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia, matérias-primas fundamentais para os setores de fertilizantes e petroquímico. Questionado se a Petrobras poderá buscar parcerias para ampliar a produção de fertilizantes, Jorge disse que a estatal está de volta a esse mercado e "disposta a interagir com os players que fazem parte dele". — Essa é a nossa visão. Nesta quinta-feira, a Petrobras realizará uma cerimônia em Três Lagoas com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para marcar oficialmente a retomada das obras da UFN-III. A previsão é que a UFN-III entre em operação comercial em 2029 e mobilize 4,8 mil empregos diretos e indiretos no Centro-Oeste. Somando com o período de construção, o projeto deverá gerar cerca de 8 mil postos.