Declaração financeira mostra que quase toda a renda veio de vendas pontuais de tokens e participações, em meio ao avanço da agenda pró-cripto no segundo mandato O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um evento no Salão Oval da Casa Branca, em 11 de junho de 2026, em Washington. — Foto: AP/Jacquelyn Martin O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reverteu seu ceticismo inicial em relação às criptomoedas para se tornar um dos maiores apoiadores do setor, declarou no ano passado mais renda relacionada a cripto do que qualquer empresa americana de ativos digitais listada em bolsa obteve em lucro. A declaração financeira de 927 páginas divulgada na terça-feira (30) pelo Escritório de Ética Governamental dos Estados Unidos mostrou que Trump gerou pelo menos US$ 1,4 bilhão com empreendimentos ligados a cripto, incluindo cerca de US$ 594 milhões da World Liberty Financial, empresa que ele cofundou com seus filhos, aproximadamente US$ 636 milhões relacionados ao negócio de sua memecoin e quase US$ 197 milhões com uma venda de participação ligada à Stablecoin Holdco. Cripto foi, de longe, a maior fonte de renda informada no documento, que também detalhou receitas de hotéis, resorts de golfe e outros negócios. Quase toda a renda de Trump com cripto veio de vendas pontuais de tokens e participações societárias, e não de ganhos operacionais recorrentes. Em comparação, a Coinbase Global Inc., plataforma de cripto mais lucrativa listada nos Estados Unidos, registrou lucro líquido de US$ 1,26 bilhão no ano passado, segundo padrões contábeis aplicáveis a companhias abertas. A declaração de Trump é autodeclarada e segue regras diferentes de divulgação. Nesta quarta-feira, o presidente minimizou o valor que ganhou, dizendo que já era rico quando foi eleito, e desviou de perguntas de repórteres sobre se estaria lucrando de forma indevida com a Presidência. Os ganhos ocorreram em um momento em que algumas empresas registraram prejuízos em razão de uma forte liquidação nos mercados de cripto, provocada pelo encerramento de cerca de US$ 19 bilhões em apostas de risco em 10 de outubro. O bitcoin, maior criptomoeda do mundo, havia atingido um recorde de mais de US$ 126 mil poucos dias antes, mas hoje é negociado abaixo da metade desse valor. Com a queda do preço do bitcoin, mineradoras intensificaram suas guinadas para inteligência artificial, enquanto os investimentos necessários para essa mudança levaram a perdas. Corretoras de ativos digitais foram atingidas pela desaceleração da atividade de negociação. A Strategy Inc., de Michael Saylor, que na prática opera mais como uma acumuladora de bitcoin do que como uma empresa operacional tradicional, registrou prejuízo de US$ 3,8 bilhões após a queda no preço da maior criptomoeda do mundo. Trump, que começou a defender o setor durante a campanha eleitoral de 2024, ajudou a aprovar importantes vitórias regulatórias para a indústria durante seu segundo mandato, incluindo uma nova legislação para emissores de stablecoins. Ele também nomeou reguladores vistos como favoráveis ao setor. Sob Trump, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), que havia movido uma série de ações de fiscalização contra o setor durante o governo de Joe Biden, abandonou processos contra grandes corretoras de ativos digitais. Trump também concedeu perdão a executivos do setor de cripto, incluindo Changpeng Zhao, cofundador da Binance, maior corretora do mundo, que havia se declarado culpado anteriormente de violações às leis americanas de combate à lavagem de dinheiro e sanções. A Casa Branca afirmou reiteradamente que Trump não está envolvido na gestão dos empreendimentos de cripto da família e negou a existência de conflitos de interesse. “Não há dúvida de que Trump foi positivo para o sentimento em relação a cripto”, disse Vincent Liu, diretor de investimentos da Kronos Research, que no ano passado participou de um jantar exclusivo com o presidente para os maiores detentores de sua memecoin. As criptomoedas lançadas pelos dois principais empreendimentos dos quais Trump lucrou, a World Liberty e sua memecoin, tiveram desempenho ruim desde a estreia no ano passado. A memecoin caiu mais de 95%, enquanto o token da World Liberty recua 75%, segundo dados da CoinGecko. Embora os ganhos de US$ 1,4 bilhão superem qualquer valor registrado nos Estados Unidos, há negócios de cripto mais lucrativos operando fora do país. A Tether, maior emissora de stablecoin do mundo, reportou lucro superior a US$ 10 bilhões no ano passado, embora o número não tenha sido validado por auditoria.
Trump declara US$ 1,4 bilhão em ganhos com cripto e se torna maior beneficiário do setor nos EUA
Declaração financeira mostra que quase toda a renda veio de vendas pontuais de tokens e participações, em meio ao avanço da agenda pró-cripto no segundo mandato











