Durante a discussão, representantes do setor produtivo apontaram possível elevação de custos de produção e defenderam que o tema não seja influenciado pelo calendário eleitoral (entenda mais abaixo). Antes da sessão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se reuniu com parlamentares governistas e representantes de centrais sindicais para discutir o texto, que ainda não começou a tramitar formalmente na Casa. Agora no g1 O debate no plenário contou com a presença de integrantes do governo, como os ministros Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), além de senadores e deputados envolvidos na articulação da proposta. Representantes do setor produtivo destacaram impactos econômicos da medida e defenderam cautela na análise do texto. 🔎 O termo “setor produtivo” é usado para se referir a empresas e às entidades que representam empregadores, como confederações e federações da indústria, do comércio e de serviços. O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) e diretor da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Ivo Dall’Acqua Júnior, afirmou que a proposta pode ter efeitos amplos sobre a economia. "Qualquer alteração estrutural na organização da jornada ultrapassa a relação entre empregado e empregador. Seus efeitos repercutem sobre toda a economia", disse. Segundo ele, embora o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores seja legítimo, é necessário discutir os impactos e o formato de implementação. "Todos desejamos mais qualidade de vida para o trabalhador. Nossa divergência não está no objetivo, mas no caminho para alcançá-lo. Mudanças dessa magnitude precisam considerar produtividade, geração de emprego, competitividade das empresas, sustentabilidade das contas públicas e o custo de vida da população", afirmou. Dall’Acqua citou ainda experiências internacionais e disse que, em outros países, a redução da jornada foi implementada de forma gradual, com acompanhamento ao longo do tempo. Sessão de Debates - Fim da escala 6x1 no Brasil. — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado Calendário eleitoral Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, defendeu mais flexibilidade nas regras trabalhistas e criticou modelos mais rígidos. "O tema é complexo. O moderno é a negociação e a liberdade. Não podemos estar engessados", disse. "A legislação engessa e tira o valor da inteligência de cada brasileiro. Temos que pensar em um Brasil moderno, em que haja liberdade para definir o que é melhor", afirmou. Skaf também fez críticas à possibilidade de influência do calendário eleitoral no debate. "Podemos debater, mas não em véspera de eleição e não com motivação eleitoral", disse. O setor produtivo vem defendendo, desde a tramitação da proposta na Câmara dos Deputados, a necessidade de um período de adaptação às novas regras. Durante a análise do texto, entidades empresariais pediram prazo maior para implementação. Por outro lado, integrantes do governo defenderam a proposta e afirmaram que o debate deve considerar aspectos sociais. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse que a discussão vai além dos impactos econômicos. "Esse não é apenas um debate econômico, é um debate humano", afirmou. Ele citou dados sobre saúde mental, como aumento de casos de burnout e ansiedade, e defendeu que a redução da jornada pode impactar positivamente a produtividade. "Um trabalhador mais descansado é mais produtivo. Se cobramos qualificação, é preciso dar tempo para que ele possa se qualificar", disse. O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França, afirmou que a proposta representa uma mudança estrutural nas relações de trabalho. "Essa será a maior mudança estrutural nos direitos trabalhistas desde a Constituição de 1988. É uma medida que impacta diretamente a vida do trabalhador", disse. Já a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), rebateu o argumento de que a proposta esteja ligada ao calendário eleitoral e defendeu que o tema seja tratado como pauta estrutural. "Isso tem a ver com vida. E não é romance, nem poesia, nem filosofia — é vida real, é direito, é humanização das relações. Por isso, o debate sobre a redução da jornada deve ser tratado como agenda estratégica do país", disse. "Essa não é uma PEC de ocasião. Ela foi protocolada em 2019", completou. Reunião com Alcolumbre Representantes das centrais sindicais reforçaram o apoio à redução da jornada sem corte de salários. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, afirmou que a pauta tem respaldo social. "Tivemos uma conversa muito positiva sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada. Saímos com a avaliação de que o tema deve avançar com seriedade no Senado", disse Nobre, após a reunião com Alcolumbre e antes da sessão de debates. Já a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou, na mesma ocasião, que o debate ainda está em fase de construção. "Não há divergência de mérito. O que estamos tratando são os procedimentos e a forma de tramitação", disse. O texto prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, além da garantia de ao menos duas folgas semanais. Pela proposta, a diminuição da carga horária deve ocorrer de forma escalonada, ao longo de até 12 meses após a promulgação. O fim da escala 6x1 passaria a valer 60 dias após a conclusão do processo legislativo. Ainda não há previsão para a votação da proposta no Senado. - Esta reportagem está em atualização
Fim da escala 6x1: setores apontam elevação de custos de produção e dizem que debate não pode ser contaminado por eleições | G1
Reunião entre presidente do Senado e centrais sindicais ocorreu antes da sessão desta quarta-feira (1º). Na ocasião, Davi Alcolumbre defendeu a redução da jornada sem transição.













