Nas densas florestas dos Andes equatorianos, a sobrevivência de uma aranha não depende apenas de sua habilidade para caçar insetos, mas também de sua capacidade de resistir a uma ameaça que vem do céu. Um novo estudo revelou que as chuvas fortes que atingem a região atuam como um "filtro ecológico", bombardeando as teias e determinando, na prática, quais espécies e arquiteturas de seda conseguem dominar cada ambiente.
Realizada em um gradiente que vai das tempestades torrenciais das planícies às chuvas suaves das florestas de altitude, a pesquisa apoiada pela Fapesp revelou que a sobrevivência de uma teia depende de dois fatores principais: o formato e o local onde foi construída. Os resultados foram publicados em abril na revista Ecology and Evolution.
A investigação integra o projeto "Ampliação, qualificação e modernização do acervo das coleções zoológicas do Instituto Butantan com ênfase em taxonomia e sistemática em aranhas haplóginas neotropicais (Arachnida, Araneae)", coordenado por Antonio Domingos Brescovit, pesquisador do Instituto Butantan e coautor do estudo. Também teve apoio do Conselho Nacional de Pesquisa em Ciências Naturais e Engenharia do Canadá (NSERC).
Os pesquisadores compararam como três estratégias clássicas de "engenharia aracnídea" –as teias orbiculares (planas e circulares), as teias emaranhadas e as emaranhadas que formam um lençol (ambas tridimensionais, densas e volumosas)– lidam com o impacto das gotas de chuva.








