O parto humano é considerado particularmente difícil entre os primatas porque a cabeça do bebê passa com pouca folga pela pelve materna. Mas um estudo publicado na segunda-feira (29) na revista Nature Ecology & Evolution mostra que limitações parecidas também aparecem no parto de outros primatas.

Por décadas, a ciência explicou esse aperto pelo chamado "dilema obstétrico". A hipótese, apresentada em 1960 pelo antropólogo Sherwood Washburn, afirma que a pelve humana precisava ser estável para a marcha sobre dois pés e, ao mesmo tempo, manter espaço para a passagem de bebês com cabeças grandes. O conceito ajudou a consolidar a ideia de que o parto difícil era uma exclusividade humana.

Em humanos, a passagem estreita pela pelve pode resultar em emergências obstétricas. Uma delas é a distocia de ombro, quando a cabeça do bebê já nasceu, mas os ombros ficam presos nos ossos da pelve materna. A equipe precisa agir rapidamente para liberar o nascimento e reduzir riscos ao bebê.

Para saber se essa limitação anatômica era mesmo particular da nossa espécie, a pesquisa liderada por Nicole Torres-Tamayo, da University College London (Reino Unido), usou modelos 3D para medir a abertura da pelve em 130 fêmeas adultas de 29 espécies de primatas, incluindo humanos. Depois, comparou esse espaço com o tamanho da cabeça dos recém-nascidos das mesmas espécies. A comparação indica quanta folga o filhote tem para nascer.