Tropas ajudam no resgate e reabertura de aeroporto, enquanto outros 800 soldados colaboram de centros logísticos no Caribe, Porto e Rico e Curaçao Vídeo feito com drone mostra buscas em meio aos escombros de prédios desabados em La Guaira após terremotos na Venezuela — Foto: Reprodução/Associated Press/ Juan Arraez As Forças Armadas dos Estados Unidos estabeleceram uma presença significativa na Venezuela e em seu entorno para apoiar as operações de socorro. Atualmente, mais de 900 militares americanos estão no país, enquanto outros cerca de 800 estão posicionados em centros logísticos no Caribe, em Porto Rico e Curaçao, informou à Reuters o principal comandante militar dos EUA para a América Latina. O general Francis Donovan, comandante do Comando Sul dos EUA, afirmou que as forças americanas participaram de operações de busca e resgate, ajudaram a restabelecer o funcionamento do aeroporto e mobilizaram recursos aéreos e navais para permitir a chegada de ajuda humanitária após os devastadores terremotos da semana passada. Segundo ele, os militares dos EUA também deslocaram pelo menos quatro ou cinco drones MQ-9 Reaper para sobrevoar a Venezuela. Em conjunto com um centro de integração de informações em Miami, esses equipamentos estão reforçando a capacidade de inteligência das autoridades venezuelanas. “Estamos utilizando alguns dos mesmos recursos que normalmente empregaríamos para monitorar ameaças no hemisfério para agora garantir que as estradas estejam transitáveis e identificar onde estão os edifícios danificados”, disse Donovan, acrescentando que algumas dessas informações podem ser mais difíceis de obter pelas autoridades venezuelanas “a partir do nível do solo”. Trata-se de uma mudança notável para as Forças Armadas dos EUA, que, em 3 de janeiro, realizaram uma operação para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e levá-lo para Nova York, onde responderia a acusações de tráfico de drogas. Maduro nega qualquer irregularidade. No mês passado, os militares americanos também realizaram uma operação que matou o líder da organização criminosa venezuelana Tren de Aragua, em uma ação conduzida em coordenação com as autoridades venezuelanas. “3 de janeiro não faz tanto tempo assim. Basta ver como essa relação mudou”, afirmou Donovan. A Venezuela foi atingida por dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, com menos de um minuto de intervalo, na quarta-feira da semana passada. Os tremores derrubaram edifícios e deixaram milhares de pessoas presas sob os escombros. Fuzileiros navais Com as chances de encontrar sobreviventes diminuindo a cada hora, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, informou nesta terça-feira que apenas um sobrevivente — uma criança de 3 anos — havia sido resgatado até então, durante o sexto dia das operações de busca e resgate. As buscas, no entanto, continuam. Socorristam resgatam sobrevivente sob escombros após terremotos na Venezuela — Foto: Reprodução/X Donovan afirmou que os fuzileiros navais dos EUA foram os primeiros militares americanos a chegar ao local, auxiliando as equipes de resgate na remoção dos escombros em busca de sobreviventes. Os militares também transportaram civis por via aérea, incluindo socorristas de Fairfax, no estado da Virgínia, que divulgaram no fim de semana um vídeo mostrando o resgate de uma mãe e seu bebê de nove meses. Segundo Donovan, a operação mais ampla é fortemente voltada para logística, com foco em garantir que a ajuda humanitária internacional destinada a salvar vidas não fique retida nos pontos de entrada do país. “É justamente aí que esse tipo de operação pode enfrentar problemas. Você recebe muito material, mas não dispõe da estrutura logística necessária para transportá-lo até as áreas afetadas”, explicou. O governo venezuelano tem sido alvo de críticas por não ter mobilizado mais rapidamente equipamentos pesados e equipes especializadas de busca e resgate, deixando muitos moradores agirem por conta própria, utilizando as próprias mãos, pás e cordas na tentativa desesperada de encontrar familiares durante os primeiros dias após o desastre. No sábado, a televisão estatal exibiu máquinas pesadas removendo blocos de concreto e tijolos em algumas áreas. Moradores relataram que equipes internacionais de resgate ajudaram na retirada de corpos. Final incerto Questionado sobre a insatisfação da população venezuelana com a resposta do governo, Donovan adotou um tom cauteloso, mas reconheceu que Caracas enfrenta as consequências de décadas de má administração, que, segundo ele, “basicamente arruinaram a infraestrutura do país”. Ele acrescentou que a escassez de medicamentos e de profissionais de saúde também contribui para aumentar a frustração da população. Donovan recusou-se a especular sobre quanto tempo durará a missão militar americana na Venezuela, afirmando que essa decisão cabe ao Departamento de Estado dos EUA, que lidera a missão humanitária do país. No entanto, ressaltou que os militares não estão se preparando para uma permanência prolongada em território venezuelano com as tropas enviadas para prestar assistência. “Não há qualquer discussão sobre permanecer”, disse Donovan. “É isso que fazemos em operações de ajuda humanitária... Vamos embora quando o trabalho estiver concluído. Ainda assim, Donovan manifestou esperança de que os esforços dos EUA possam fortalecer os laços militares entre os dois países. “Se isso abrir caminho para uma relação militar mais sólida entre os dois países, certamente estaremos prontos para avançar”, afirmou.
EUA mandam mais de 900 militares à Venezuela após terremoto
Tropas ajudam no resgate e reabertura de aeroporto, enquanto outros 800 soldados colaboram de centros logísticos no Caribe, Porto e Rico e Curaçao










