O Plano Safra deixou de ser apenas o volume de dinheiro anunciado, mas a efetividade do crédito. Composição, custo, fonte, capacidade de contratação, distribuição por público e integração com instrumentos de gestão de riscos devem ser analisados.

O desse ano foi anunciado em um ambiente de transição, com restrição fiscal, juros ainda elevados, maior seletividade bancária, deterioração da qualidade da carteira rural, avanço de recuperações judiciais e aumento do risco climático. Para a agricultura empresarial, o governo anunciou R$ 525,1 bilhões, um pouco acima dos R$ 516,2 bilhões da safra 2025/26. O aumento agregado é moderado, mas a mudança de composição é expressiva. As avaliações são do Observatório do Crédito e Seguro Rural da FGV Agro.

Custeio e comercialização recuam para R$ 384,9 bilhões, mas investimentos sobem para R$ 140,2 bilhões, e passam a 26,7% do orçamento, bem acima dos 19,7% do plano anterior. Há uma redução das taxas máximas de juros em linhas estratégicas. O custeio empresarial cai de 14,0% para 12,5% ao ano; o Pronamp, de 10,0% para 9,0%; o Prodecoop e o Procap-Agro, de 13,5% para 12,0%, e o Moderfrota, de 13,5% para 12,5%. Esse alívio das taxas dependerá, no entanto, de garantias, risco de carteira, seletividade financeira, fonte de recursos e execução efetiva ao longo da safra, segundo Pedro Loyola, da FGV Agro.