Primeiro-ministro disse que seu plano destinará 5 bilhões de libras para investimentos em drones e armamentos autônomos O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, prometeu nesta terça-feira destinar 15 bilhões de libras para modernizar as enfraquecidas Forças Armadas britânicas, em um plano de investimentos aguardado há meses e concebido para preparar o país para os conflitos do futuro. Naquele que deve ser o último grande anúncio de política pública antes de deixar o cargo, Starmer afirmou que o Plano de Investimentos em Defesa foi além de uma versão anterior que levou seu aliado John Healey a renunciar ao cargo de ministro da Defesa neste mês, após acusar o premiê de não conseguir recursos suficientes para manter o Reino Unido seguro. Starmer apresentará o plano - que prevê gastos de quase 80 bilhões de libras por ano até 2029 - para a reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança militar ocidental) em Ancara, nos dias 7 e 8 de julho, onde pretende sinalizar que o Reino Unido está no caminho de cumprir o compromisso de elevar os gastos com defesa para 3,5% do PIB até 2035. Mas, com seu sucessor esperado, Andy Burnham, podendo assumir o governo já em 20 de julho, Starmer reconheceu que futuros governos poderão "construir" sobre as bases de seu plano. "Quando o mundo está se armando e a agressividade aumenta, a melhor forma de evitar uma guerra é preparar-se para ela. A melhor forma de se defender é dissuadir, ter força suficiente para fazer seus adversários pensarem duas vezes antes de agir", afirmou Starmer durante discurso em uma empresa do setor de defesa no sul da Inglaterra. "É isso que estamos entregando." Starmer disse que seu plano destinará 5 bilhões de libras para investimentos em drones e armamentos autônomos, criará uma marinha híbrida e tornará o Exército mais letal. O plano também reforçará a capacidade de dissuasão nuclear britânica e fortalecerá o programa de desenvolvimento de um caça furtivo de nova geração para a Força Aérea Real, segundo Starmer, que acrescentou que isso criará empregos e impulsionará o crescimento econômico. Matt Roberts, dirigente nacional do sindicato GMB, elogiou o plano, afirmando que ele oferece "alguma estabilidade para um setor cercado pela incerteza" e que "o desafio agora é colocá-lo em prática". O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, também saudou o plano britânico, classificando-o como "um bom passo rumo ao objetivo de gastar 3,5% do PIB com defesa, acordado em Haia no ano passado". Sob pressão dos Estados Unidos para assumir uma parcela maior de sua própria defesa, os países da Otan concordaram em destinar 5% do PIB à defesa até 2035, sendo 3,5% para gastos militares propriamente ditos e 1,5% para despesas mais amplas relacionadas à segurança nacional. Segundo Starmer, o novo plano elevará os gastos britânicos para o equivalente a 4,2% dentro desse compromisso. "Sob qualquer critério, esta é uma enorme mudança histórica para o nosso país e um legado do qual me orgulho", afirmou. Questionado se o plano seria suficiente para dissuadir um eventual ataque da Rússia, respondeu: "Sim... tenho confiança nisso". Horas antes da divulgação completa do plano, críticos manifestaram dúvidas sobre sua dimensão, questionando se ele é suficiente para deixar o Reino Unido preparado para um conflito, especialmente diante dos alertas de autoridades militares de que a Rússia poderia atacar um país da Otan já em 2030. O general Richard Barrons, ex-chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas, afirmou que, embora o plano represente um avanço, o Reino Unido continuará vulnerável. "Isso ainda não resolve o problema de que, para defender adequadamente o Reino Unido com rapidez suficiente, é preciso fazer mais e mais cedo — e isso exige mais recursos do que os atualmente disponíveis", disse à BBC Radio. Chefes militares afirmam que existe um déficit de 28 bilhões de libras no financiamento da defesa para os próximos quatro anos. Como o reforço de 15 bilhões de libras não cobre esse valor, Barrons disse que alguns equipamentos deixarão de ser adquiridos ou terão sua compra adiada, além de haver cortes em treinamento, manutenção da infraestrutura e logística. O primeiro-ministro, porém, defendeu os cálculos do plano e afirmou que grande parte dos recursos adicionais virá da realocação de verbas de outros ministérios. "Alguns projetos de investimento, por exemplo nas áreas de estradas e energia, que são importantes, mas não imediatamente essenciais, deixarão de seguir conforme o planejado", disse ele. "Este plano representa nossa melhor avaliação sobre o que o país precisa neste momento e constitui uma base sobre a qual sei que meu sucessor irá construir." — Foto: Toby Shepheard/Reuters
Reino Unido anuncia plano bilionário de investimento em defesa
Primeiro-ministro disse que seu plano destinará 5 bilhões de libras para investimentos em drones e armamentos autônomos










