PUBLICIDADE 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vista da sessão plenária da 68ª reunião de chanceleres do Mercosul na sede da Conmebol, no Paraguai — Foto: DANIEL DUARTE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/06/2026 - 08:30 Mercosul e Japão avançam em acordo econômico focando agricultura e indústria O Mercosul está em discussões avançadas para um acordo econômico com o Japão, foco central da cúpula em Assunção. O Japão, tradicionalmente protecionista na agricultura, concordou em incluir este setor nas negociações, ao lado do industrial. A parceria visa reverter a queda no comércio bilateral, que caiu de US$ 17 bilhões para US$ 11 bilhões em 2025. O Brasil é o maior mercado do Japão na América Latina, e o Japão, o segundo maior parceiro asiático do Brasil. O acordo pode impulsionar comércio e investimentos, fortalecendo também os laços históricos e culturais, evidenciados pela comunidade nikkei no Brasil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Negociadores com os quais conversei nesta manhã afirmam que o acordo de parceria econômica com o Japão é o tema mais importante da reunião de cúpula dos chefes de Estado do Mercosul, realizada nesta terça-feira, em Assunção, no Paraguai. Há vários outros países em conversas, mas o mais importante é o que envolve a possibilidade de um acordo com o Japão. A avaliação é que o encontro será decisivo. Há muito tempo o Brasil busca firmar um acordo entre o Mercosul e o Japão, mas as negociações sempre emperraram quando chegavam ao capítulo agrícola. O Japão mantém uma agricultura quase heroica, desenvolvida em um arquipélago de 377.975 quilômetros quadrados, pouco maior que o estado do Maranhão. Isso explica o fato de o país ser tradicionalmente protecionista nesse setor, já que busca preservar sua capacidade de produção de alimentos. Ao mesmo tempo, não é autossuficiente e precisa de parceiros comerciais. Desta vez, porém, concordou em incluir o capítulo agrícola nas negociações, juntamente com o acordo industrial. Diferentemente da Copa do Mundo, em que o Brasil eliminou o Japão da competição, no primeiro jogo da fase do mata-mata, nas negociações comerciais a lógica é de ganha-ganha: ampliar o comércio, estimular investimentos e gerar crescimento para ambos os lados. Brasil e Japão chegaram a movimentar cerca de US$ 17 bilhões em comércio bilateral. Esse volume, porém, diminuiu e, em 2025, ficou em pouco mais de US$ 11 bilhões. Ainda assim, o Brasil continua sendo o principal mercado do Japão na América Latina. Para os brasileiros, por sua vez, o Japão é o segundo maior parceiro comercial na Ásia, atrás apenas da China, nosso maior parceiro global. No caso do Mercosul, o fluxo comercial com o Japão ainda é relativamente modesto. A expectativa é que um acordo amplie tanto o comércio quanto os investimentos. Os japoneses são investidores tradicionais no Brasil e podem ampliar sua presença na região caso o tratado avance. O maior elo entre Brasil e Japão seja a comunidade nikkei. O Brasil abriga a maior população de descendentes de japoneses fora do Japão, com cerca de dois milhões de pessoas. Uma comunidade tão relevante para o Brasil, os descendentes do país asiático são um vínculo histórico que também fortalece a aproximação econômica e cultural entre os dois países.