Restrições impostas por Trump aos iranianos ficarão marcadas como um dos momentos mais vergonhosos da história recente dos mundiais, afirma Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jogadores da seleção do Irã aplaudem a torcida após empate em 1 a 1 com o Egito, em Seattle — Foto: Richard Heathcote/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/06/2026 - 04:53 Irã enfrenta restrições dos EUA durante a Copa do Mundo e fica invicto A seleção do Irã sofreu com restrições impostas pelo governo Trump durante a Copa do Mundo, sendo forçada a se concentrar no México e enfrentar dificuldades de imigração nos EUA. Apesar das adversidades, o Irã terminou invicto, mas não avançou devido a um gol anulado. A situação é vista como um momento vergonhoso nos mundiais, destacando a hipocrisia ao permitir que países em guerra, como os EUA, participem sem sanções. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. A seleção do Irã foi prejudicada pelo governo de Donald Trump na Copa do Mundo. Sei que esta newsletter é para falar de guerra e tenho uma coluna no caderno de esportes do GLOBO às quartas-feiras para falar de futebol durante o Mundial. Mas a questão iraniana nos campos da América do Norte tem relação direta com os acontecimentos no Golfo Pérsico. Restrições – Os iranianos conquistaram a vaga para a Copa do Mundo ao disputar as eliminatórias da Ásia. Tinham o direito de ir para o Mundial nas mesmas condições que todas as outras seleções que disputam o torneio. Mas não foi o que aconteceu. Os EUA impediram que o Irã tivesse sua concentração no território norte-americano, apesar de todas as suas partidas serem realizadas no país. Concentração – A saída para o Irã, diante das restrições impostas pela administração de Trump, acabou sendo usar a cidade de Tijuana, no México, como sua concentração. Como suas partidas foram em Los Angeles e Seattle, precisavam viajar para os EUA a cada jogo. Todas as vezes precisaram passar pela imigração, onde eram interrogados. Pior, alguns membros de sua delegação não receberam visto. Campanha na Copa – Por pouco, apesar de todas essas restrições, o Irã não se classificou como um dos oito melhores terceiros colocados. Ficou em nono. Terminou a Copa invicto, mas eliminado, ao empatar com Nova Zelândia, Bélgica e Egito — por um milímetro, teve um gol anulado contra os egípcios que teria garantido a classificação. Nunca saberemos como teria sido a campanha iraniana se não houvesse tantos obstáculos. Disputa – Alguns questionam o motivo de o Irã poder disputar a Copa se o país está em guerra. Mas quem começou o conflito foram os EUA e Israel com bombardeios a Teerã, incluindo o ataque para assassinar o então líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Portanto, a nação que poderia ter sua participação questionada seriam os EUA, não o Irã. Mas, obviamente, isso não iria ocorrer. A maioria das sedes está dentro do território norte-americano. Seria impraticável suspender o país. Além disso, o presidente da Fifa é um puxa-saco de Donald Trump. Caso russo – Vale lembrar que a Rússia não pôde disputar as eliminatórias da Copa porque invadiu a Ucrânia. Existe, sim, uma enorme dose de hipocrisia. Por que outras nações que iniciam guerras não são suspensas? Além do Irã, os EUA invadiram o Iraque e bombardearam a Síria no passado e jamais receberam punição. Nenhuma dessas nações havia invadido ou atacado os EUA. O governo Trump deveria ter dado todas as condições para o Irã na Copa do Mundo. As restrições impostas aos iranianos ficarão marcadas como um dos momentos mais vergonhosos da história recente dos mundiais. Seleção não é o regime – Muitos questionaram também a participação iraniana na Copa porque o regime reprimiu com violência manifestantes da oposição em janeiro deste ano. Cerca de sete mil pessoas teriam sido mortas. Mas a seleção não representa o regime, assim como a seleção norte-americana não representa Trump e a seleção da Argentina de 1978 não representava a junta militar. Representa o povo iraniano e sequer sabemos das posições políticas de seus jogadores.
A guerra e a seleção do Irã na Copa
Restrições impostas por Trump aos iranianos ficarão marcadas como um dos momentos mais vergonhosos da história recente dos mundiais, afirma Guga Chacra em newsletter especial







