Levantamento aponta que 77% dos entrevistados já foram impactados por anúncios contextualizados ou baseados em geolocalização, sendo que um em cada três sempre realiza uma compra após esse tipo de exposição Quase 70% dizem concordar em compartilhar sinais de consumo de forma anônima para receber publicidade mais relevante — Foto: leungchopan Com consumidores cada vez mais atentos à privacidade e menos tolerantes a anúncios considerados invasivos, marcas e plataformas têm investido em estratégias que buscam entregar mensagens no momento e no ambiente mais adequados, sem recorrer à identificação direta das pessoas. Uma pesquisa realizada pela plataforma de tecnologia e publicidade digital Siprocal, em parceria com a empresa de pesquisas Opinion Box, aponta que 77% dos consumidores já tiveram ao menos uma decisão de compra influenciada por anúncios personalizados por localização. Nesse grupo de consumidores, um em cada três afirma realizar uma compra sempre que recebe esse tipo de publicidade. Além disso, 50% das pessoas já viram conteúdos relacionados aos locais onde estavam naquele momento. Ao todo, o levantamento ouviu 1.056 pessoas de todas as classes sociais nas cinco regiões do Brasil. Outro dado é que 66% dos entrevistados afirmam aceitar compartilhar parte de seus dados de forma anônima em troca de anúncios mais relevantes, enquanto 57% avaliam positivamente as notificações enviadas por "push" (alertas que surgem nas telas do celular ou computador, enviadas por sites ou navegador) baseadas em localização. A pesquisa destaca ainda que, embora as redes sociais liderem como o canal mais lembrado para esse tipo de impacto (68%), as notificações via "push" têm aceitação de 57% dos usuários. Segundo o vice-presidente de vendas e publicidade para América Latina, Paulo Fernandes, o consumidor está muito mais exigente em relação à publicidade que recebe, e a marca precisa aparecer no contexto certo e no momento em que aquela mensagem faz sentido. "Quando isso acontece, a rejeição diminui significativamente", afirma. Esse comportamento ocorre em um cenário de restrições crescentes ao uso de dados pessoais e ao rastreamento individual. O executivo explica que, para atender às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a estratégia utiliza informações agregadas e anônimas para compreender padrões de comportamento, sem identificar diretamente o consumidor. Além do conteúdo consumido, outros elementos ajudam a definir o momento ideal para uma campanha. Horário do dia, perfil demográfico e até particularidades regionais influenciam a percepção da mensagem. "Quanto mais estereotipada for a comunicação, maior tende a ser a rejeição do consumidor. São pequenos detalhes que fazem diferença, inclusive na linguagem utilizada. Uma expressão regional pode aumentar a identificação com a campanha." Questionado sobre os impactos da inteligência artificial nesse mercado, Fernandes afirma que a tecnologia ainda está distante de substituir plataformas especializadas em mídia contextual, embora seu uso esteja crescendo no mercado publicitário. Segundo ele, os modelos de IA conseguem automatizar processos, mas ainda enfrentam dificuldades para compreender o contexto de consumo utilizando dados de primeira parte e informações geolocalizadas com o mesmo nível de precisão. "A inteligência artificial ajuda muito na automação, mas ainda não possui acesso à mesma qualidade de dados nem consegue interpretar contexto com a mesma profundidade. Ainda estamos longe de atingir esse nível de segurança e efetividade." Paulo Fernandes: A inteligência artificial ajuda muito na automação, mas ainda não possui acesso à mesma qualidade de dados nem consegue interpretar contexto com a mesma profundidade — Foto: Felipe Guerra/Divulgação GC