Amante de Kim Jong-il, Hyung-hee mas jamais foi citada em público pelo filho mais famoso, e revelar seu verdadeiro status poderia abalar as estruturas do sistema 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ko Yong-hui, mãe do líder da Coreia do Norte, Kom Jong-un — Foto: Reprodução/União Internacional da Juventude de Amizade com a RPDC RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/06/2026 - 17:50 Mãe de Kim Jong-un: A História Oculta e Controversa de Ko Yong-hui A história de Ko Yong-hui, mãe de Kim Jong-un, contrasta com a narrativa oficial da Coreia do Norte. Amante de Kim Jong-il, ela nunca foi publicamente mencionada por seu filho, o que poderia desestabilizar o regime. Nascida no Japão, Ko enfrentou discriminação e foi apagada da propaganda oficial. Sua influência na escolha de Kim Jong-un como líder é reconhecida, mas sua origem permanece um tabu. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No momento em que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, promove a imagem de pai presente e homem de família, e em que prepara sua filha, Kim Ju-ae, à sucessão, uma parte de sua história segue sob sigilo. Ele jamais mencionou a mãe, Ko Yong-hui, em público, um apagamento ligado a questões ideológicas e de estabilidade política. Dentro da historiografia do regime, a legitimidade da família Kim está firmada no Monte Paektu, a montanha sagrada para os coreanos e onde, segundo a mitologia, surgiu o primeiro reino da península, há 5 mil anos. O fundador do país, Kim Il-sung, não nasceu ali, mas o local foi terreno para sua guerrilha antijaponesa durante os tempos da ocupação. A certidão de seu filho e sucessor, Kim Jong-il, apontava o Monte Paektu como local de nascimento. Já a história por fora da propaganda confirma que ele veio ao mundo na soviética Khabarovsk, hoje na Rússia. A mãe dele, Kim Jong-suk, era uma líder guerrilheira morta em 1949 e nomeada “Mãe da Coreia”. Com Kim Jong-un, construir a narrativa não foi tão simples. Seu pai, Kim Jong-il, era conhecido pelo amor às festas regadas a bebidas de luxo — ele foi o maior importador individual do conhaque francês Hennessy — e pela infidelidade crônica. Além de uma esposa “oficial”, tinha outras três amantes. Ko Yong-hui era a preferida, mas também a que trazia mais “problemas” doutrinários. Kim Jong-il, líder da Coreia do Norte de 1994 a 2011 — Foto: AFP PHOTO/FILES/KCNA VIA KOREA NEWS SERVICE VIA KNS Longe do Monte Paektu, ela nasceu em Osaka, no Japão, em 1952, e tinha 10 anos quando se mudou para a Coreia do Norte. Sua família ocupava uma categoria menos privilegiada no sistema de status social — comparado ao sistema de castas — conhecido como songbun. Embora etnicamente coreana, era considerada uma estrangeira. Ou, em tons mais graves, “impura” para frequentar os altos escalões em Pyongyang. — Naquela época, os coreanos vindos do Japão eram vistos na Coreia do Norte como espiões e, por isso, viviam sob discriminação e vigilância — disse o jornalista japonês Yoji Gomi, autor de um livro sobre Ko Yong-hui, em entrevista ao jornal Maeil Business em 2025. Segundo Gomi, ela trabalhava como dançarina na Trupe Artística Mansudae, um dos grupos de música e dança locais mais conhecidos no final do século passado, quando atraiu os olhares apaixonados de Kim Jong-il, já casado na época. — Ela era uma mulher de espírito ágil e perspicaz. Foi por isso que ela conquistou o coração de Kim Jong-il. Ela o auxiliava em tudo, desde questões de saúde até o trabalho. Ela também desempenhou o papel de esposa ideal, acompanhando-o em seus deslocamentos — contou o jornalista japonês ao Maeil Business. O japonês Kenji Fujimoto (pseudônimo), chef pessoal de Kim Jong-il por 12 anos e autor de três livros sobre os bastidores do regime, revelou que o líder norte-coreano pedia seus conselhos com frequência antes de tomar decisões. Uma primeira-dama de fato. Irmã de Kim Jong-Un, Kim Yo-Jong foi promovida e ganhou papel de destaque na diplomacia da Coreia do Norte — Foto: Odd Andersen/AFP Da união extraoficial nasceram três filhos: Kim Jong-un, hoje líder do país; Kim Yo-jong, sua poderosa irmã; e Kim Jong-chul, que chegou a ser cogitado como sucessor, mas foi afastado devido à sua falta de liderança e, como afirma um ex-diplomata norte-coreano, Ryu Hyun-woo, ao vício em ópio. Apesar dos herdeiros, a união jamais foi reconhecida. Ela e as crianças viviam em Wonsan, a cerca de 200 km de Pyongyang. Kim Jong-nam, um potencial sucessor assassinado com requintes de crueldade em 2017, era filho de Kim Jong-il com outra de suas amantes, Song Hye-rim, morta em 2002 na Rússia. — Diziam que Kim Il-sung reclamava abertamente, perguntando: "Por que você está namorando uma mulher do Japão?" Por esse motivo, não existe nenhuma foto de Kim Il-sung com Yong-hui. Kim Il-sung não reconheceu os três filhos de Kim Jong-il e Yong-hui, incluindo Kim Jong-un, até o momento de sua morte — explica Gomi. Sem o songbun ideal, com um pai ligado ao Japão imperial e nascida longe da Península Coreana, Ko Yong-hui foi abafada pela propaganda oficial. Sem alarde, recebeu o título de “Respeitada Mãe”, em 2002, e foi caracterizada em um documento sigiloso como “a mais fiel das fiéis, infinitamente leal ao amado e respeitado camarada Comandante Supremo”. Ela morreu em Paris em 2004, após enfrentar um câncer de mama, e foi enterrada sem grande pompa nos arredores de Pyongyang e sem menção na imprensa oficial. Em 2011, mesmo ano em que Kim Jong-un assumiu o poder, foi lançado um documentário que a apresentava como importante figura materna, sem revelar seu nome ou detalhes de seu passado. O filme foi recolhido quatro anos depois, quando o novo líder tentava fortalecer seu domínio sobre o Estado, e queria afastar qualquer chance de questionamento. Mesmo envolvendo a própria origem. "Se viesse a público que sua mãe era de origem coreana, vinda do Japão, isso não apenas abalaria sua legitimidade, mas também desestabilizaria o sistema hereditário em suas raízes ", escreveu Ryu no livro "O Cofre Secreto de Kim Jong-un". "Teria o impacto de uma bomba nuclear na sociedade norte-coreana." Esta foto, tirada em 11 de março de 2026 e divulgada pela Agência Central de Notícias da Coreia do Norte (KCNA) em 12 de março de 2026, mostra o líder norte-coreano Kim Jong Un (à direita) e sua filha Kim Ju Ae (segunda à direita) inspecionando a produção de um novo tipo de pistola em uma importante fábrica de munições subordinada ao Segundo Comitê Econômico — Foto: KCNA VIA KNS / AFP Para Gomi, a decisão de rapidamente tornar pública a atual primeira-dama, Ri Sol-ju, assim como a filha do casal, Kim Ju-ae, tem raiz no ressentimento do líder norte-coreano com o apagamento de sua relação com a mãe. Segundo Anna Fifield, autora de "O Grande Sucessor", foi ela quem convenceu Kim Jong-il de que Kim Jong-un era a melhor escolha para comandar a Coreia do Norte. — Acredita-se que sentimentos como a saudade da mãe e o arrependimento por não ter sido um bom filho para ela estejam ligados a essa postura — conclui o jornalista.
Omitida pela propaganda, história da mãe de Kim Jong-un contrasta com narrativa oficial do regime
Amante de Kim Jong-il, Hyung-hee mas jamais foi citada em público pelo filho mais famoso, e revelar seu verdadeiro status poderia abalar as estruturas do sistema








