Depois que mais de 1.300 mortes adicionais foram registradas na Europa desde 21 de junho e atribuídas à onda de calor, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um intenso "domo de calor" deve elevar as temperaturas a níveis perigosos nos Estados Unidos durante a semana do feriado de 4 de julho. Meteorologistas alertam para máximas acima de 38°C em diversas cidades americanas, sensação térmica de até 46°C e a possibilidade de quebra de centenas de recordes de temperatura. Milhões de americanos na metade leste do país enfrentarão uma onda de calor prolongada, impulsionada por uma extensa área de alta pressão atmosférica, fenômeno conhecido como "heat dome" ("domo" ou "cúpula de calor", em inglês), de acordo com a rede CNN. O sistema atua como uma tampa sobre a atmosfera, aprisionando o ar quente próximo à superfície e dificultando a dissipação do calor. O fenômeno deve atingir seu pico entre quinta e sexta-feira, coincidindo com um dos períodos mais movimentados do ano nos EUA. Milhões de pessoas são esperadas em viagens, desfiles, churrascos, eventos esportivos e shows de fogos de artifício para celebrar os 250 anos da independência americana. Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NWS, na sigla em inglês), mais de 100 milhões de pessoas estarão sob risco "alto" ou "extremo" relacionado ao calor em algum momento desta semana. A área afetada se estende desde o sul do país até partes de Minnesota, Wisconsin, Michigan e Maine, incluindo cidades como Nova York, Boston e Washington. As temperaturas devem variar entre 35°C e 40°C em diversas regiões do Centro-Oeste, do Meio-Atlântico e da Costa Leste. Em partes do Nordeste americano, os termômetros poderão ultrapassar os 38°C, enquanto a sensação térmica pode atingir cerca de 43°C e, em alguns locais, chegar a 46°C devido à combinação de calor e alta umidade. — Washington certamente superará os 38°C em pelo menos um ou dois dias. Filadélfia e Nova York também têm previsão de ultrapassar essa marca — afirma Marc Chenard, meteorologista do Centro de Previsão do Tempo dos EUA. Segundo ele, Filadélfia poderá igualar seu recorde histórico para o mês de junho, de 40°C. Em Richmond, na Virgínia, as temperaturas devem permanecer acima de 37,8°C durante três dias consecutivos, aproximando-se dos maiores valores já registrados para julho na cidade. Noites quentes preocupam autoridades Especialistas afirmam que a principal ameaça não está apenas nas temperaturas elevadas durante o dia, mas também na falta de alívio após o pôr do sol. Mais de 100 recordes diários de temperatura máxima podem ser igualados ou quebrados nesta semana, mas o dado que mais preocupa meteorologistas é a possibilidade de mais de 250 recordes de temperaturas mínimas elevadas durante a noite serem ameaçados. Em Washington, as máximas previstas de 38,9°C na quinta-feira e 39,4°C na sexta-feira podem estabelecer novos recordes diários. Durante a madrugada, os termômetros podem permanecer acima de 26,7°C. Nova York poderá igualar tanto seu recorde diário de temperatura máxima quanto o de temperatura mínima mais elevada para o período. Em Raleigh, na Carolina do Norte, as noites podem se aproximar do recorde histórico de temperatura mínima mais alta já registrada na cidade. — Locais como Nova York, Filadélfia e Washington podem registrar uma ou duas noites em que a temperatura não cairá abaixo dos 27°C — destaca Chenard. — Chicago também pode ficar próxima dessa marca. O Serviço Nacional de Meteorologia destacou que esta poderá ser a onda de calor mais significativa no leste da Virgínia desde julho de 2012, quando temperaturas extremas contribuíram para 12 mortes no estado e mais de 30 óbitos relacionados ao calor em quatro estados americanos. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), a exposição prolongada ao calor extremo pode provocar exaustão térmica, cãibras e insolação, considerada a forma mais grave de doença associada às altas temperaturas. O órgão ressalta que as visitas a prontos-socorros aumentam significativamente em dias classificados como de risco elevado ou extremo. Diante da previsão, autoridades americanas começaram a adotar medidas preventivas. Em Nova York, mais de 2 mil quiosques públicos foram atualizados para orientar a população sobre a localização de centros de resfriamento. Em Nashville, equipes especiais iniciarão patrulhas para distribuir água e monitorar pessoas vulneráveis, incluindo moradores em situação de rua. Já Washington prepara uma operação especial para receber o aumento de visitantes esperado para as festividades do Dia da Independência. Meteorologistas esperam que o domo de calor comece a enfraquecer no fim do feriado prolongado, deslocando-se para o oeste do país e permitindo a entrada de temperaturas mais amenas na Costa Leste, embora também aumente a possibilidade de tempestades. Europa registra recordes históricos O avanço da onda de calor nos EUA ocorre enquanto a Europa enfrenta um dos episódios mais severos já registrados no continente. A OMS informou que mais de 1.300 mortes adicionais foram contabilizadas desde 21 de junho em decorrência das altas temperaturas. Segundo o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, cerca de 150 milhões de pessoas vivem atualmente sob calor extremo. "Neste momento, 150 milhões de pessoas vivem sob um calor extremo, centenas morreram, escolas estão fechadas e as redes elétricas estão em colapso", escreveu Tedros na rede X. Ele afirmou ainda que o estresse térmico é frequentemente chamado de "assassino silencioso" e alertou que residências, escolas e locais de trabalho europeus não foram projetados para suportar temperaturas tão elevadas. Nos últimos dias, diversos países registraram recordes históricos. A República Tcheca alcançou 41,9°C em Doksany, a Alemanha chegou a 41,7°C, enquanto a Polônia registrou 40,5°C em Słubice, sua maior temperatura já medida. Na França, autoridades de saúde informaram que aproximadamente mil mortes acima do esperado foram registradas desde 24 de junho, especialmente entre pessoas com mais de 65 anos. O país também observou aumento de 40% nas mortes ocorridas dentro de residências. A onda de calor avançou nesta segunda-feira para os Bálcãs, onde temperaturas superiores a 38°C provocaram incêndios florestais e levaram autoridades a emitir alertas à população. Na Bósnia, bombeiros controlaram um incêndio que queimava havia dias em um lixão próximo à cidade de Mostar, enquanto Albânia, Kosovo e outras áreas da região enfrentam previsões de até 40°C. Cientistas da rede World Weather Attribution afirmam que esta é a onda de calor mais intensa já registrada na Europa e sustentam que um episódio dessa magnitude teria sido "virtualmente impossível" em junho sem a influência das mudanças climáticas. (Com New York Times e AFP)
Depois da Europa, 'domo de calor' ameaça EUA com sensação térmica de até 46°C no feriado de 4 de julho
Mais de 100 milhões de pessoas estão sob alerta para temperaturas extremas, enquanto onda de calor já foi associada a mais de 1.300 mortes na Europa












