Em uma sessão de liquidez reduzida devido ao jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, investidores observam o cenário eleitoral doméstico e acompanham a trégua entre Estados Unidos e Irã Sede da B3 em São Paulo — Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg O Ibovespa cai nesta segunda-feira (29), pressionado por Vale e Petrobras, mesmo com o recuo dos juros futuros. Em uma sessão de liquidez reduzida devido ao jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, investidores observam o cenário eleitoral doméstico e acompanham a trégua entre Estados Unidos e Irã. Por volta das 13h10, o Ibovespa caía 0,35%, aos 172.680 pontos, após oscilar entre os 172.393 pontos e os 173.892 pontos. O volume financeiro projetado para o índice era de R$ 9 bilhões. No exterior, o Nasdaq subia 1,45%, o Dow Jones ganhava 0,43% e o S&P 500 tinha alta de 0,85%. As ações ordinárias da Vale caíam 1,23%, enquanto os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras cediam 0,45% e 0,08%, respectivamente, apesar da alta do preço de suas commodities no exterior. O Brent, com entrega para agosto, subia 1,47% em Londres, cotado a US$ 73,07 por barril, enquanto o minério de ferro avançou 0,67% na Bolsa de Dalian, na China. Apesar da queda das ações do setor, analistas do Goldman Sachs afirmam que commodities seguem sendo uma importante ferramenta de diversificação para carteiras de ações e renda fixa, especialmente em cenários de choques de oferta, restrições estruturais à produção e aumento dos riscos fiscais. "Acreditamos que o conflito envolvendo o Irã reforça tendências estruturais que sustentam a demanda por eletricidade e metais, mais do que por petróleo e gás", escrevem os analistas. Segundo eles, a expansão dos veículos elétricos, dos investimentos em energia renovável, dos gastos com defesa e da inteligência artificial deve impulsionar a demanda por eletricidade, cobre, lítio e alumínio. Entre as maiores baixas da sessão, a ação ON da CSN perdia 2,54% e da Cosan recuava 3,19%. O Citi retomou a cobertura da holding com recomendação neutra e preço-alvo em R$ 4,50. No entanto, a empresa informou hoje ter contratado o BTG Pactual como assessor financeiro em meio ao processo de avaliação de potenciais alternativas para a sua participação na Rumo. Já na liderando as quedas, Azzas 2154 perdia 4,05%, ampliando as perdas pela segunda sessão seguida. Por outro lado, as ações ordinárias de Natura e Magazine Luiza avançavam 3,63% e 3,60%, respectivamente, impulsionadas pela queda dos juros futuros. Após a realização global das ações de tecnologia na semana passada, motivada principalmente pelas incertezas em torno dos retornos dos investimentos em inteligência artificial e semicondutores, os papéis do setor voltam a subir em Wall Street. O movimento dá continuidade à rotação de ações de valor para crescimento observada nesta segunda-feira. Nesse contexto, a Genial Investimentos destaca que o fluxo estrangeiro foi a principal decepção da última semana. "Mesmo com o Ibovespa em alta e os bancos liderando os ganhos, o investidor estrangeiro permaneceu vendedor, ampliando a saída de recursos no mês e mantendo o forte fluxo negativo observado desde meados de abril", escreve o estrategista de ações da casa, Filipe Villegas. "A compra ficou concentrada entre investidores institucionais e pessoas físicas, que passaram de posição vendida para comprada. O Brasil segue entre as bolsas mais baratas do mundo, mas o desconto, por si só, ainda não foi suficiente para reverter o fluxo, que aguarda a confirmação da rotação global", acrescenta. Assim, os investidores estrangeiros acumulam saldo negativo de R$ 8,7 bilhões em junho na B3. No ano, porém, a categoria mantêm saldo positivo de R$ 32,8 bilhões.