Governo de Beirute vem adotando, desde 2025, uma política voltada para garantir o desarmamento do Hezbollah, após o grupo ter sido fortemente enfraquecido durante uma guerra anterior contra Israel, em 2024 O presidente do Parlamento do Líbano, Nabih Berri, importante aliado do Hezbollah, criticou nesta segunda-feira um acordo mediado pelos Estados Unidos entre o Líbano e Israel, alertando que ele poderia abrir caminho para tentativas de dividir os libaneses e afirmando que o pacto não será implementado. Em declarações ao jornal libanês al-Akhbar, Berri descreveu as negociações entre Irã e EUA como a única oportunidade realista para garantir a retirada israelense do Líbano e afirmou que qualquer tentativa de desvincular a questão libanesa das negociações entre Washington e Teerã prolongaria a ocupação israelense. Israel ocupa uma faixa do sul do Líbano desde a guerra com o Hezbollah, iniciada em 2 de março, quando o grupo abriu fogo contra Israel em solidariedade a Teerã após o Irã sofrer ataques dos Estados Unidos e de Israel. A guerra no Líbano tornou-se um elemento central dos esforços diplomáticos para encerrar o conflito mais amplo entre EUA e Irã. Teerã tem insistido que um cessar-fogo no Líbano faça parte do acordo com Washington, enquanto os EUA patrocinam negociações separadas entre os governos libanês e israelense, das quais Beirute participa apesar das objeções do Hezbollah. Israel elogiou o acordo, assinado na sexta-feira pelos embaixadores do Líbano e de Israel em Washington. O primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, afirmou que o entendimento permite que as forças israelenses continuem ocupando o sul do Líbano caso o Hezbollah não se desarme. O Hezbollah, que exige que Beirute abandone as negociações diretas com o governo israelense, rejeitou o acordo, classificando-o como uma rendição a Israel. O acordo prevê que as Forças Armadas libanesas assumam o controle do território à medida que seja verificado o desarmamento de grupos não estatais — uma referência ao Hezbollah —, o que permitiria às Forças Armadas israelenses "retirarem-se progressivamente" do Líbano. O texto também prevê que o Exército libanês assuma gradualmente a responsabilidade por "zonas-piloto". Berri, líder do movimento xiita Amal, classificou o acordo como uma "imposição". Segundo o al-Akhbar, ele afirmou que o aspecto mais perigoso do entendimento não é apenas seu conteúdo político, mas "o potencial de incitar divisões internas e levar os libaneses a um confronto entre si". "O acordo não será implementado", disse Berri, segundo o jornal. A administração libanesa liderada pelo presidente maronita Joseph Aoun e pelo primeiro-ministro sunita Nawaf Salam defendeu negociações diretas com Israel no início da guerra, apesar da forte oposição do Hezbollah, de orientação xiita, refletindo profundas divisões internas sobre a decisão do grupo de entrar no conflito em apoio ao Irã. O governo de Beirute vem adotando, desde 2025, uma política voltada para garantir o desarmamento do Hezbollah, após o grupo ter sido fortemente enfraquecido durante uma guerra anterior contra Israel, em 2024. Em uma conversa telefônica com o presidente dos EUA, Donald Trump, no sábado, Aoun afirmou esperar que Washington pressione Israel a retirar suas tropas do sul do Líbano. As forças israelenses ocuparam uma zona de segurança autodeclarada no sul do Líbano durante a guerra, alegando a necessidade de proteger o norte de Israel contra ataques do Hezbollah. Os militares israelenses afirmaram ter destruído durante a noite um túnel do Hezbollah de 200 metros de extensão no sul do Líbano. Também disseram ter atacado, no domingo, três centros de comando do Hezbollah na região em resposta a violações do cessar-fogo atribuídas ao grupo. O Hezbollah afirmou, em comunicado divulgado nesta segunda-feira, que respeitou o cessar-fogo "até o momento" e que se reserva o direito de "defender sua pátria e seu povo". — Foto: REUTERS/Avi Ohayon
Autoridade ligada ao Hezbollah critica acordo com Israel mediado pelos EUA
Governo de Beirute vem adotando, desde 2025, uma política voltada para garantir o desarmamento do Hezbollah, após o grupo ter sido fortemente enfraquecido durante uma guerra anterior contra Israel, em 2024










