Obra foi descoberta em 2014 e catalogada como uma pintura anônima antes de ser atribuída a Rembrandt, e agora tem valor estimado entre 8 e 12 milhões de libras 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Na versão pintada (à esquerda), o turbante foi substituído por um gorro holandês tradicional e a criança vestida, entre outras alterações — Foto: Reprodução / Sotheby’s Restauradores descobriram que uma pintura de Rembrandt foi alterada para remover um detalhe curioso: o turbante que cobria a cabeça de um homem. A obra, do século XVII, teria sido modificada por um autor desconhecido, que substituiu o turbante por um tradicional gorro holandês. A tela, que mede 106 cm por 80,5 cm, foi descoberta em 2014 em um leilão alemão, onde foi catalogada como uma pintura anônima "Holanda do século XVII". Agora, tendo sido atribuída a Rembrandt, será leiloada pela Sotheby's em Londres no dia 1 de julho, com um valor estimado entre 8 e 12 milhões de libras, o que reflete o fato de ser uma das obras iniciais mais importantes de Rembrandt que ainda permanecem em mãos privadas. Na tela, Rembrandt retrata uma multidão de figuras diversas. Além do homem de turbante, as religiões judaica e cristã também estão representadas. O historiador de arte Andrew Graham-Dixon disse, ao jornal inglês "The Guardian", que a pintura coincidia com a estreita ligação de Rembrandt com os Remonstrantes, um grupo que defendia a tolerância e a aceitação religiosa. "Em 1627, quando Rembrandt começou esta pintura, Leiden passava por uma crise humanitária extraordinária. A Guerra dos Trinta Anos estava no auge e centenas de milhares de pessoas chegavam à República Holandesa como refugiados. Só em 1626, 1.500 tecelões chegaram lá, com suas esposas e filhos. Então havia um fluxo enorme de pessoas. Estima-se que Leiden tenha acolhido cerca de 10 mil refugiados naquele ano”, disse Graham-Dixon ao The Guardian. Para ele, o artista expressou na obra sua opinão sobre o que vinha acontecendo. “Quando Rembrandt pintou esta cena, ele retratou uma multidão de Cristo acolhendo crianças e famílias. Isso foi muito controverso na época. Havia pessoas em Leiden que não queriam recebê-los. Mas o que podemos perceber nesta pintura é que Rembrandt estava do lado da ajuda humanitária… Portanto, esta é mais do que apenas uma pintura; acredito que seja uma declaração da posição moral de Rembrandt", afirmou.