Integrantes da comissão técnica da seleção brasileira feminina de ginástica celebram não apenas o retorno de Rebeca Andrade às competições. Mas também a volta de Thais Fidelis, que ficou afastada do esporte por dois anos e se convenceu de que o seu lugar é mesmo no ginásio. Thais rompeu com a ginástica em 2022, estava quebrada psicologicamente. Ela conta que não pensava em retornar, havia desistido. Mas, ao acompanhar uma competição nacional, com ginásio lotado e com definição da seleção para os Jogos de Paris-2024, ela revisou os planos. Em 2025 a ginasta voltou ao treinamento, chegou a subir no pódio em três competições. Mas foi na última semana que ela mostrou que voltou para valer: se consagrou a terceira melhor ginasta das Américas, ao conquistar a medalha de bronze do individual geral do Pan-Americano de Ginástica Artística, no Rio de Janeiro. — Quando pensei em parar, não pensava em voltar. Na minha cabeça, ali era o fim, de tão cansada mentalmente e fisicamente. Não tinha chance de voltar — comenta Thais. — Mas, em 2024, nesse mesmo ginásio, na época da convocação para a Olimpíada de Paris, percebi que aqui é o meu lugar, que tinha de voltar. É o que eu amo mesmo, o que faz meus olhos brilharem. Quando lembro desta cena... Foi emocionante ver o ginásio cheio. Thais se refere à Arena Carioca 1, no Parque Olímpico, onde há uma semana conquistou três medalhas no Pan-Americano de Ginástica. Foi a maior medalhista do Brasil nesta competição: além do bronze no individual geral, também foi bronze na trave e prata por equipes. A brasileira beliscou ainda o pódio do solo, ao terminar em quarto. Na atual temporada, também conquistou o ouro no solo e a prata na trave no Troféu Brasil, em Natal. Em 2025, ano de seu retorno ao esporte, ela disputou o Troféu Brasil e foi medalhista de bronze nas paralelas. No Pan-americano, no Panamá, foi bronze por equipes. E no Sul-Americano foi prata na trave. — O ano passado, para mim, foi de experiência mesmo, o ano do retorno, de dar um passo de cada vez. Estou muito feliz e grata de ter ficado em terceiro no meu primeiro Pan-Americano em casa — disse Thais. Segundo Francisco Porath, o Chico, técnico da seleção brasileira feminina de ginástica artística, Thais voltou consistente e empolgada. Ele disse que a atleta está nos planos para o restante da temporada da seleção. Thais Fidelis no Pan-Americano de Ginástica no Rio, em 2026 — Foto: MeloGym/CBG Explicou que, antes do Campeonato Mundial, que será em outubro, em Roterdã, o Brasil disputará o Sul-americano e a Copa do Mundo da Hungria. O Mundial é a prioridade desta temporada e as convocadas para estas competições serão apontadas após o Campeonato Brasileiro. — Thais tem o que a gente quer, consistência. É experiente e isso faz diferença. Já precisou abrir aparelho, ser a primeira a se apresentar, uma posição que é difícil para o atleta, e foi lá e resolveu. Confiamos muito nela — declarou o treinador. — Gostamos de histórias assim. Porque quando voltam, voltam melhores, entendendo o motivo pelo qual estão ali. Para o treinador é mais fácil. Hoje a Thais quer, está na nossa equipe que está sendo mapeada para o Mundial e vamos acompanhá-la no Campeonato Brasileiro (que ela representará o Sesi). Morte do irmão e cirurgia Thais lembrou o período em que se afastou do esporte. Disse que dois eventos ocorridos em sequência foram determinantes para ela parar com a ginástica. Em 2021, ela perdeu o irmão Dener Rogério, após quadro agravado de pneumonia, além de outras complicações. No mês seguinte, a ginasta que representava o Clube Pinheiros, rompeu o tendão de Aquiles. — Hoje sei que ele está em um mundo melhor — fala a ginasta. — Tive que ter uma cabeça muito boa e naquele momento eu não tive. Tudo aconteceu bem perto. Empurrei o ano de 2022 com a barriga mas eu não estava mais feliz no ginásio. Eu não queria mais estar ali, não era prazeroso. Decidi parar porque estava cansada física e mentalmente. Eu estava ali por estar... Foi muito difícil. Terminei esse ano como pude. E dei uma pausa. Hoje vejo o quanto esta pausa foi importante para mim. Voltei feliz, diferente. Sou outra Thaís. Tenho muita gratidão e amor pela ginástica. Thais Fidelis no Pan-Americano de Ginástica, no Rio, em 2026 — Foto: MeloGym/CBG Nesse período afastada, Thais foi estagiária no projeto social de Daiane dos Santos, o Brasileirinho e "conheceu o lado de lá, o do treinador". — Fui em festivais, mas já é uma adrenalina diferente — comenta sobre a função. Ela também cursou a Faculdade de Educação Física e ainda está tentando se formar. Diz que conciliar as duas agendas são complicadas, mas "a gente não pode parar de estudar". Para o Mundial, ela pretende aprimorar suas séries, incluindo a do solo, um de seus melhores aparelhos. Foi com ele que a ginasta conseguiu o melhor resultado internacional, um quarto lugar no Mundial de 2017 — em 2019, ela tinha se tornado a primeira brasileira em pódio de Copa do Mundo no individual geral, com o bronze na etapa de Birmingham, na Inglaterra. — No solo, quem sabe, eu possa acrescentar alguma coisa. A série de trave deve ser a mesma. Preciso, na verdade, me soltar mais, melhorar principalmente a parte artística. Tanto na trave quanto no solo. E estou treinando uma nova saída para a paralela, mas é um aparelho que eu tenho um pouco mais de dificuldade. Só preciso dar um passo de cada vez — comentou a ginasta que ainda não definiu qual salto fará no Mundial caso seja convocada. Perguntada sobre qual o objetivo pessoal após o retorno, Thais disse que é chegar a Los Angeles, em 2028. Ela ainda não disputou Jogos Olímpicos. — É o que eu quero. Tem todo um processo para chegar lá, eu sei. E vou trabalhar para isso. É o que eu quero.
Thais Fidelis, que havia desistido da ginástica, ganha projeção internacional e quer disputar LA-2028
Ginasta é a terceira melhor atleta das Américas, após bronze no individual geral do Pan
996 words~5 min read






