No dia 4 de outubro de 1972, 100% dos televisores do Rio de Janeiro estavam sintonizados no capítulo 152 de "Selva de Pedra". Era o ponto de virada fundamental da trama de Janete Clair. O momento em que Rosana Reis, vivida por Regina Duarte, seria desmascarada por Cristiano Vilhena, papel de Francisco Cuoco, e teria de assumir que, na verdade, era Simone Marques e não havia morrido.

Exibida entre abril de 1972 e janeiro de 1973, totalizando 243 capítulos numa época em que os autores escreviam à máquina e sozinhos, "Selva de Pedra" entra nesta segunda-feira (29) no catálogo do Globoplay numa versão compacta, de 76 capítulos.

É a mesma versão que foi reprisada em 1975, como tapa-buraco, após a censura do regime militar proibir a estreia de "Roque Santeiro", de autoria de Dias Gomes, marido de Janete. Essa mesma versão foi disponibilizada em DVD no início dos anos 2010. O material completo não existe mais, já que parte das fitas foi reaproveitada pela emissora.

A novela, a mais antiga disponibilizada pelo serviço de streaming da Globo, conta uma história de amor e ascensão social em meio ao milagre econômico brasileiro, quando a economia nacional crescia em média 10% ao ano.

Na ainda pacata cidade de Campos, no norte do estado do Rio de Janeiro, o jovem pobre Cristiano Vilhena é acusado injustamente de assassinar um rapaz rico. Acolhido pela jovem —e pobre— Simone Marques, que sonha em ser uma artista plástica de sucesso, foge com ela para o Rio de Janeiro, a "selva de pedra" do título.