A sexta-feira foi marcada por uma menor volatilidade nos mercados globais Dólar tem leve recuo frente ao real, em linha com pares — Foto: Toru Hanai/Bloomberg A sexta-feira foi marcada por uma menor volatilidade nos mercados globais. Com a queda nos preços do petróleo, o ambiente se tornou ligeiramente mais favorável à tomada de risco, ainda que sem grandes gatilhos para ajustes de posições expressivos. Nesse contexto, o dólar perdeu força globalmente e abriu algum espaço para a valorização do real, que, no entanto, ainda acumula perdas de 2,47% frente à divisa americana em junho. O dólar comercial recuou 0,20%, negociado a R$ 5,1669, enquanto o dólar futuro para julho caía 0,26%, a R$ 5,1725. O euro comercial fechou em queda de 0,08%, a R$ 5,8840. No fim do dia, o dólar recuava 0,02% frente ao peso mexicano e 0,31% contra o rand sul-africano. O petróleo exibiu queda forte de 4,34% no pregão desta sexta-feira e fechou o dia aos US$ 71,99 o barril na ICE, em Londres. O movimento da commodity contribuiu para uma queda nas curvas de juros globais, com maior destaque para a americana. O rendimento da T-note de dois anos recuava de 4,158% para 4,092% no fim do dia. Nesse contexto, agentes também passaram a moderar as expectativas para alta de juros nos EUA, o que ajudou a tirar ímpeto do dólar. Ontem, o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, declarou que a atual postura de política monetária nos EUA está bem ajustada para levar a inflação de volta à meta de 2%. Participantes do mercado interpretaram a fala como uma oposição velada, neste momento, a uma alta de juros pelo Fed já na reunião de julho. Apesar do ambiente global mais favorável hoje, o Itaú revisou sua projeção de câmbio para 2026 e 2027 e espera, agora, um real mais depreciado. A estimativa do Itaú passou de R$ 5,15 para R$ 5,30 neste ano e de R$ 5,35 para R$ 5,50 no ano que vem. “A revisão reflete principalmente a mudança do cenário externo, com expectativa de juros mais elevados nos Estados Unidos e de uma trajetória de fortalecimento do dólar. Soma-se a isso a deterioração dos termos de troca, liderada pela queda do preço do petróleo, e, no âmbito doméstico, o aumento do prêmio de risco em meio à dinâmica sazonal típica do segundo trimestre em anos eleitorais”, aponta a equipe de macroeconomia do banco, liderada por Mario Mesquita. “Embora o diferencial de juros ainda ofereça algum suporte no curto prazo, o conjunto desses fatores aponta para uma trajetória de depreciação à frente”, resumem os economistas do Itaú.