O número de desaparecidos por conta dos terremotos na Venezuela passou de 50 mil, segundo disse nesta sexta-feira (26) o chefe do Escritório de Ajuda Humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), Tom Fletcher, à agência de notícias AFP. "Trata-se de uma operação de resgate extremamente completa. Há mais de 50.000 pessoas desaparecidas e mais de 500 mortas. Portanto, buscar sobreviventes entre os escombros é uma tarefa colossal", declarou Tom Fletcher em uma entrevista concedida à AFP em Genebra. Fletcher afirmou ainda que considera provável que o número de mortos "aumente consideravelmente". O novo balanço foi divulgado pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e é provisório. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) e a ONU já estimavam que o número de vítimas possa ser bem maior, levando em conta a força do terremoto, a falta de estrutura e as áreas densamente populosas que foram atingidas. Na quinta-feira, seu irmão, o presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, disse também que havia ainda 200 pessoas presas em escombros. Ele também afirmou que o governo registrou, até agora, 250 edifícios que foram totalmente derrubados ou sofreram danos. Equipes de resgate agora lutam para encontrar desaparecidos e retirar pessoas de escombros. Grupos montados por moradores das áreas afetadas para quem está buscando por parentes e conhecidos já registram mais de 24 mil desaparecidos. Pelas redes sociais, há também vários relatos e imagens de edifícios que desabaram (veja no vídeo acima). Imagem mostra destruição em Catia La Mar, na Venezuela, após terremoto — Foto: Federico Parra/AFP Vídeo mostra momento em que prédio desabou na Venezuela LEIA TAMBÉM: Os terremotos Entenda terremoto na Venezuela — Foto: Arte/g1 Os dois terremotos que abalaram a Venezuela ocorreram em um intervalo de menos de um minuto e com uma diferença de 5 quilômetros entre eles. O epicentro do tremor mais forte foi registrado na cidade venezuelana de El Guayabo, a 168 km da capital Caracas. Réplicas ocorreram em cidades costeiras perto da capital venezuelana, como La Guaira, que ficou fortemente destruída. O aeroporto internacional de Caracas também foi fechado. Além da intensidade dos tremores — de magnitudes 7,2 e 7,5 — a baixa profundidade dos dois abalos também explica o rastro de destruição deixado. Isso porque, quanto mais perto do solo, mais o terremoto é sentido. Os tremores também ocorreram em áreas densamente populadas. Um cálculo feito pelo Serviço Geológico dos EUA estimou, com base nessas variáveis, que o número de mortos possa passar de 10 mil pessoas.