O Itaú BBA revisou as suas projeções para a taxa Selic e o dólar comercial em relatório publicado nesta sexta-feira. O banco agora espera que o juro básico seja reduzido de 14,25% para 14,00%, 0,25 ponto percentual acima da previsão anterior de 13,75%. Já para o câmbio, a expectativa é que o dólar termine 2026 em R$ 5,30 e 2027 em R$ 5,50, de R$ 5,15 e R$ 5,35, respectivamente. Sobre a política monetária, o relatório assinado pelo economista-chefe do Itaú, Mário Mesquita, aponta que o Banco Central fará apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). Ex-diretor do BC, Mesquita avalia que a leitura menos benigna sobre o quadro inflacionário presente na comunicação recente do comitê indica um “ciclo de calibração quase concluído”. “A comunicação recente aponta para uma postura mais cautelosa, mas sem fechar totalmente a porta para novos cortes. O comitê seguiu ressaltando que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada a depender da evolução dos dados. Mas, ao caracterizar o balanço de riscos como tendo assimetria altista, sinaliza que qualquer espaço que ainda exista para a flexibilização está se esgotando rapidamente”, diz Mesquita. Para ele, dado o cenário adverso atual de expectativas de inflação desancoradas da meta de 3% e aceleração da atividade econômica, há risco de que o último corte projetado da Selic sequer ocorra. Já para 2027, o cenário-base do Itaú segue contemplando a retomada do ciclo de queda da Selic até o patamar de 12,50%. Em relação ao câmbio, a expectativa de que o dólar se fortaleça a R$ 5,30 este ano e a R$ 5,50 no próximo advém de um cenário externo menos favorável ao real, em especial por conta da expectativa de que o Federal Reserve (Fed) voltará a subir os juros nos Estados Unidos, diz Mesquita. “Soma-se a isso a deterioração dos termos de troca, liderada pela queda do preço do petróleo, e, no âmbito doméstico, o aumento do prêmio de risco em meio à dinâmica sazonal típica do segundo trimestre em anos eleitorais. Embora o diferencial de juros ainda ofereça algum suporte no curto prazo, o conjunto desses fatores aponta para uma trajetória de depreciação à frente”, escreve o economista. Mesquita, do Itaú: BC sinaliza que qualquer espaço que ainda exista para flexibilização da Selic está se esgotando — Foto: Silvia Costanti/Valor