Quando decidiu levar uma câmera para Brasília, em abril de 2021, Dandara Ferreira, de 40 anos, não sabia exatamente qual filme estava começando a fazer. A CPI da Covid acabara de ser instalada no Senado, o Brasil ultrapassava centenas de milhares de mortes pela pandemia e ainda não havia clareza sobre o tamanho da crise sanitária e política que estava em curso.
"Eu sentia que o país atravessava algo maior do que uma crise sanitária", diz a cineasta. "A gente estava sendo violentado de uma maneira cruel e não podia aceitar aquela banalização, nem naturalizar a crueldade. Minha arma naquele momento era uma câmera."
O resultado dessa imersão é "Anatomia do Caos", documentário que estreia nos cinemas em 2 de julho, com distribuição da Descoloniza Filmes. Depois de estrear no cinema de ficção com "Meu Nome É Gal", cinebiografia de Gal Costa protagonizada por Sophie Charlotte, Dandara volta ao circuito com uma obra política que acompanha a trajetória da CPI da Covid a partir de registros feitos dentro do Senado.
O filme reúne documentos, imagens inéditas dos bastidores da comissão, entrevistas com parlamentares, depoimentos de familiares de vítimas e de políticos, empresários e médicos que afrontaram a ciência, um conjunto que ajuda a reconstruir a condução da pandemia pelo governo de Jair Bolsonaro.











