Aporte incluirá gastos com data centers de IA, baterias e telas, além de um potencial avanço para construir fábricas de chips no sudoeste do país O Grupo Samsung planeja anunciar, na segunda-feira (29), um investimento de 1.000 trilhões de wons (US$ 648 bilhões) na Coreia do Sul ao longo de 10 anos, como parte de uma iniciativa que visa transformar o boom da inteligência artificial em um motor de crescimento nacional, informou uma reportagem da mídia. Principais executivos da Samsung Electronics e da SK Hynix — empresas que colheram lucros enormes com a demanda implacável por chips impulsionada pela IA — participarão de uma reunião com o presidente Lee Jae Myung para apresentar planos de investimento focados em regiões fora de Seul, informou o Maeil Business Newspaper nesta sexta-feira (29). O aporte da Samsung incluirá gastos com data centers de IA, baterias e telas, além de um potencial avanço de 300 trilhões de wons para construir fábricas de chips no sudoeste do país, informou o periódico sem citar fontes. A concentração das instalações de produção de chips nos arredores de Seul há muito tempo atrai pressão política, o que foi amplificado pela busca de Lee por um desenvolvimento regional equilibrado. Parlamentares da oposição dizem que o plano tem motivação política, acusando o governo de pressionar as empresas a investirem no reduto eleitoral do partido governante, no sudoeste do país, antes da disputa pela liderança partidária. O gabinete presidencial informou que revelará "três megaprojetos" na segunda-feira para impulsionar um salto nacional. O conselheiro de políticas Kim Yong-beom acrescentou que os planos — que abrangem semicondutores, data centers de IA e robótica — serão delineados conjuntamente pelo governo e pela indústria, com previsão de investimentos significativos. Ambas as companhias preferiram não comentar. A Coreia do Sul tem sido uma peça central e beneficiária da onda global de IA, pois domina a fabricação mundial de chips de memória de alta tecnologia, cruciais para data centers. Kim afirmou que a SK Hynix e a Samsung podem precisar antecipar projetos previstos para a década de 2040 para meados da década de 2030, porque a demanda por memória superou as expectativas, deixando a região da capital sem espaço, energia ou água para expansão. Nova concentração fabril em Seul traria riscos de inflacionar os preços dos imóveis e aumentar a desigualdade. No entanto, especialistas questionam a sabedoria de iniciar um polo de chips no sudoeste. "Garantir trabalhadores qualificados será extremamente difícil na região", disse Kim Tae-yun, professor da Universidade Hanyang, alertando que, sem uma fábrica de ponta, o impacto econômico local será limitado, correndo o risco de se tornar apenas um projeto de construção civil. A política regional em torno do setor de semicondutores tornou-se um ponto de tensão antes das eleições locais da Coreia do Sul, e o debate se intensificou à medida que o governo Lee colocou a IA como prioridade econômica, embora a taxa de aprovação do presidente tenha caído para 51%, a menor desde sua posse, segundo a Gallup Korea. Candidatos de várias regiões têm promovido agressivamente suas áreas como o próximo polo de semicondutores. O debate também gerou preocupação em cidades que já abrigam fábricas, como Icheon, onde opera a SK Hynix e as finanças locais dependem fortemente da empresa. "Se um novo polo for criado, achamos que a SK provavelmente cortará a produção aqui e, eventualmente, fechará a fábrica. A cidade se tornaria fantasma", disse Jo Jun-taek, líder de um grupo comunitário em Icheon. Lee promove um plano para estabelecer "cinco polos regionais e três províncias autônomas especiais" para contrabalançar o domínio da área de Seul, que respondeu por 52,8% do PIB regional bruto da Coreia do Sul em 2024. A disparidade é evidente em Gwangju, uma importante cidade do sudoeste com economia menor, onde a mídia local relata que a Samsung estuda investir. Lee obteve cerca de 85% dos votos em Gwangju e na vizinha Jeolla do Sul na eleição presidencial, embora tenha vencido com 49,42% nacionalmente. O principal partido de oposição, o Poder Popular, acusou a administração de politizar o setor. "O local onde as fábricas de semicondutores são construídas deve ser decidido pelas empresas, não pelo presidente", declarou o porta-voz do partido, Park Sung-hoon. — Foto: Bloomberg