Especialistas explicam como a queda do estrogênio pode afetar músculos, ossos e articulações, e por que os sintomas variam de forma significativa entre as mulheres 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Claudia Raia relata sintoma da menopausa e médicos explicam impacto no corpo — Foto: Reprodução Instagram RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 11:42 Claudia Raia discute menopausa e síndrome musculoesquelética em painel Claudia Raia compartilhou sua experiência com a menopausa, destacando a síndrome musculoesquelética em um painel recente. Especialistas explicam que a queda do estrogênio afeta músculos, ossos e articulações, causando variação de sintomas entre mulheres. O diagnóstico é complexo, mas a reposição hormonal pode aliviar os sintomas, impactando positivamente na qualidade de vida. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Claudia Raia participou recentemente do painel "Menopausa Sem Tabu: Novas Narrativas Sobre Corpo e Saúde", no Iguatemi Talks, e chamou atenção ao relatar uma experiência ainda pouco discutida sobre a menopausa: a síndrome musculoesquelética, condição associada a dores em músculos, ossos e articulações e frequentemente confundida com outras doenças. A atriz contou que demorou a relacionar os sintomas à fase do climatério e demonstrou surpresa ao receber o diagnóstico. "O que que é isso que eu estou sentindo? Nunca soube na minha vida que era um sintoma da menopausa. Eu fiquei boba, falei: 'Meu Deus do céu, é da menopausa, e ninguém me avisou'. Então, assim, é tratado como fibromialgia, é tratado com medicamentos fortíssimos, e não passa", disse. O relato abre espaço para uma discussão cada vez mais presente na medicina: como a queda do estrogênio impacta diferentes sistemas do organismo e pode se manifestar de formas amplas e, muitas vezes, subestimadas. Segundo o ginecologista Igor Padovesi, autor de "Menopausa Sem Medo" (Editora Gente), especialista certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e idealizador do projeto "Expert em Menopausa", o hormônio atua em diversos tecidos do corpo, o que explica a variedade de sintomas possíveis. "O estrogênio tem função em praticamente todos os órgãos e tecidos do corpo e, a partir do momento que ele passa a faltar, vários sinais e sintomas podem aparecer nas mulheres. Existe uma variação individual, é um espectro grande de sintomas da menopausa que algumas mulheres vão ter alguns, outras vão ter outros e o grau de intensidade também pode variar", esclarece. Ele acrescenta que músculos e articulações também são diretamente afetados pela mudança hormonal. "Os músculos e articulações também tem receptores de estrogênio e a falta de estrogênio pode levar a sintomas nesses órgãos", afirma. Claudia Raia expõe sintoma da menopausa e abre debate sobre dores no corpo — Foto: Reprodução Instagram A ginecologista Ana Paula Fabricio, que possui Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO), reforça que o processo envolve inflamação e perda de colágeno. "A consequência dessa queda hormonal é o aumento da inflamação e a perda do colágeno, o que também contribui para o aparecimento de sintomas de dores musculares e articulares", diz. Já a ginecologista Patricia Magier, criadora do Método Plena, aponta o papel estrutural do estrogênio no organismo. "O estrogênio contribui para a saúde do colágeno, do tecido conjuntivo e da capacidade de reparo de músculos e tendões, além de modular processos inflamatórios. Com a redução hormonal, algumas mulheres ficam mais predispostas a tendinopatias, rigidez articular e inflamações em estruturas periarticulares", explica. Embora ainda pouco reconhecida fora dos consultórios, a dor articular é uma das queixas mais frequentes nesse período, podendo atingir joelhos, ombros, mãos e cotovelos. De acordo com o ortopedista e especialista em joelho e traumatologia esportiva Marcos Cortelazo, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), isso ocorre porque essas estruturas também respondem ao estrogênio. "As articulações, assim como as cartilagens que as protegem, possuem receptores de estrogênio, hôrmonio que contribui para a manutenção da saúde dessas estruturas. Logo, conforme a produção hormonal é alterada com a menopausa, as articulações ficam mais inflamadas, o que causa dor em regiões como mãos, joelhos e ombros e favorece o surgimento de condições como a artrite e artrose", detalha. Ele ressalta que mudanças no estilo de vida podem ajudar a aliviar os sintomas, embora não substituam acompanhamento especializado. Em casos mais avançados, a reposição hormonal pode ser indicada sob orientação médica. "Em casos mais graves, em que a mulher já desenvolveu doenças como artrite e artrose, a consulta com o ortopedista também é importante para receber o tratamento adequado, reduzindo as dores e melhorando a qualidade de vida da paciente", completa. Entre as manifestações possíveis, o chamado "ombro congelado"” também ganha destaque. Segundo Igor, a condição é frequentemente confundida com outras patologias. "Nesse contexto, a síndrome do ombro congelado é particularmente comum, é mais frequente a ocorrência. É muito confundida com tendinite, bursite e outras questões articulares que são mais comuns, principalmente em idades mais avançadas, que muitas vezes não tem uma causa definida, e é frequente que sejam causadas pela queda do estrogênio da menopausa", observa. A ginecologista Patricia relata que o quadro envolve dor progressiva e limitação de movimento, com impacto direto na rotina: "O chamado 'ombro congelado' (capsulite adesiva) costuma aparecer com dor progressiva, limitação de movimento e rigidez que impacta atividades simples do dia a dia. Não é uma condição exclusiva do climatério, mas é mais frequente nessa fase, provavelmente porque a queda estrogênica altera a qualidade do tecido capsular, aumenta a tendência a processos inflamatórios e favorece um padrão de dor e restrição de movimento, sobretudo quando há sedentarismo, estresse crônico, diabetes ou disfunções metabólicas associadas." Claudia Raia expõe sintoma da menopausa e abre debate sobre dores no corpo — Foto: Reprodução Instagram O diagnóstico costuma ser feito por exclusão e pode levar tempo. "É difícil fazer esse diagnóstico preciso. Basicamente, o diagnóstico é confirmado quando não existe nenhuma outra causa identificada e a mulher melhora do sintoma com a reposição hormonal", comenta Igor. As dores musculares também fazem parte do conjunto de sintomas associados ao período. "Muitas pacientes nem desconfiam que têm relação com os hormônios. A queda do estrogênio aumenta processos inflamatórios no corpo e pode ser uma das causas das dores generalizadas", pontua Ana Paula. Por fim, Igor reforça que hábitos saudáveis ajudam, mas não substituem o tratamento adequado quando indicado. "Só que nada chega perto do efeito que a mulher observa quando inicia a terapia hormonal adequadamente prescrita. Então o que mais impacta de longe a qualidade de vida das mulheres é o tratamento médico correto. Todo o resto, atividade física, melhora de alimentação, aqueles princípios básicos da medicina do estilo de vida, melhorar o sono, reduzir o nível de estresse, tudo isso é importante, mas é adjuvante. O que tem de longe a maior importância e o maior impacto na sintomatologia e na qualidade de vida das mulheres é o tratamento correto, que é a terapia hormonal", conclui.
Claudia Raia relata sintoma da menopausa e ajuda a entender mudanças no corpo
Especialistas explicam como a queda do estrogênio pode afetar músculos, ossos e articulações, e por que os sintomas variam de forma significativa entre as mulheres







